sexta-feira, 22 de novembro de 2013

‘Indignai-vos!’

Augusto Nunes

MARA GABRILLI

Quando abri o jornal e vi o José Dirceu se apresentando na Policia Federal de São Paulo para ser encaminhado ao Presídio da Papuda, chorei de emoção.
Chorei por ter visto esperança na ética e na justiça deste país. Chorei pelo meu pai, que já faleceu e foi vitima do esquema de corrupção montado em Santo André, que funcionou como uma espécie de laboratório do mensalão. Todos diziam, inclusive um dos irmãos de Celso Daniel, o prefeito assassinado. que o dinheiro extorquido dos empresários era levado pelo Homem do Carro Preto para as mãos do “chefão”. Chorei por perceber que, com a punição de quem rouba o dinheiro público (e com isso rouba a saúde do pobre brasileiro), estamos começando a extirpar essa peste que é a corrupção.

Quando José Dirceu se declarou indignado, não resisti à gargalhada. Indignado com o quê? Com a água fria do banheiro do presídio da Papuda? Ou porque, no Brasil, os “chefões” nunca foram para o xilindró? Ou porque tantos outros cometem delitos?
Na Polícia Federal, ele prometeu mais uma vez provar que é inocente. Estou convencida de que, mesmo que esteja descompensado em consequência da prisão, José Dirceu não acredita nisso.
E qual foi o significado daquela mão fechada e apontando para o alto? Outra tentativa de enganar o povo, desta vez com a fantasia de preso político. Ele e os outros são políticos presos. Não foram julgados pelo que pensam, mas pelo o que fizeram quando controlavam o partido que hoje comanda o país, dita regras na Presidência da República e é majoritário no Congresso. Como Genoino, também ex-presidente do PT, Dirceu está preso por formação de quadrilha e corrupção ativa.
Os defensores dos condenados alegaram que tudo não passou de “um simples caixa dois”. Caixa dois é crime! É uma forma de corrupção! Isso me lembrou de novo o prefeito Celso Daniel. Ele dizia que “os fins justificam os meios”. Achava normal recorrer ao caixa dois para financiar as campanhas do partido. Ao descobrir que muitos estavam enriquecendo com aquele dinheiro, ficou indignado e acabou assassinado. Vi meu pai adoecer por ser forçado a entregar dinheiro, às vezes sob a mira de uma arma. Sei o que é uma indignação real.
Eu nem sonhava com a carreira política quando soube em Santo André o que é a corrupção. Sempre acreditei que se faria justiça. Agora fiquei ainda mais otimista. Os executores de Celso Daniel já foram condenados. Mas Sérgio Sombra, acusado de mandante do assassinato, ainda não foi julgado. Seu destino está nas mãos do Supremo.
Pouco importam o partido a que pertence e a quantia que surrupiou. Ladrões de dinheiro público não podem escapar da nossa indignação.

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