quinta-feira, 26 de junho de 2014

A OMISSÃO DO LULA

Carlos Chagas 
 
O Lula não foi ao  jogo de inauguração da copa do  mundo, mesmo a poucos quarteirões de seu apartamento, mas apenas para não dividir cm Dilma a metade das vaias lá verificadas? Dilma não foi  à convenção estadual do PT que formalizou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, por não fazer fé na sorte desse novo poste inventado pelo antecessor?
A verdade é que o ex-presidente permanece à margem da campanha da sucessora, enquanto essa aproveita, sem ele,  os últimos dias que a lei eleitoral permite para inaugurar   obras e distribuir benesses pelo país. Apesar de terem estado juntos na convenção nacional do PT que oficializou Dilma como candidata à reeleição, tratou-se de um relacionamento frio entre criador e criatura.  Fica difícil supor que não se encontrem em divergência, porque não se trata, propriamente, de uma dupla integrada na campanha pelo segundo mandato,  ainda que os otimistas expliquem como  razão do distanciamento   estarem  as atenções nacionais   voltadas para a copa do mundo de futebol.  Depois de 13 de julho tudo poderá mudar, alegam.    Como também pode ser que  não mudem.  O resultado, até agora, tem sido uma Dilma isolada, meio órfã de apoio do Lula, ao contrário de 2010.
O mesmo clima gelado estende-se entre o  PT e a presidente. Quando ela entrega casas próprias ou tratores pelo interior, o que menos se escuta são aplausos dos companheiros.  A menos que o marqueteiro João Santana tenha armado essa impressão de fraqueza para depois dar ampla volta por cima, prejudicada fica a campanha de Dilma. Jogar todas as fichas no horário eleitoral gratuito é temerário. A rejeição de mais de 50% que a presidente colheu nas pesquisas mais recentes leva para as telinhas o mesmo sentimento de abandono,  bem como desperta  previsões não apenas para a realização do  segundo turno, mas abre perspectivas para Aécio Neves, na decisão final.
Ainda que não existam  milagres em política, a verdade é que além de outros  fatores vem pesando na disputa atual   a omissão do Lula. Se não houver uma virada no jogo, o empate poderá  significar a derrota. Se consciente ou inconsciente,  a postura do primeiro-companheiro    conduz à perda do poder  pelo PT e penduricalhos.   Será esse desfecho  desejado pelo ex-presidente?  Ou, no mínimo, desconsiderado?
Sem falar nos negócios escusos e no assalto às estruturas do poder público,  importa registrar que pelo menos 32 mil cargos federais em comissão fazem a felicidade dos atuais detentores do poder. Seria uma contradição imaginar que o Lula não se importasse, a ponto de levar a esse extremo suas divergências com Dilma. O problema é que falta identificar a azeitona  no meio dessa empada. Por que o ex-presidente fechou-se como uma ostra, não apenas deixando  de viajar pelo país, como havia prometido, mas isolando-se em São Bernardo, sem entrevistas, exortações e pronunciamentos em favor da presidente?  Estaria dando o troco por  nos últimos meses  não ter sido  obedecido como esperava? Seu conceito de madre superiora do convento deveria esgotar-se antes.    Não se trata de estar preparando 2018, porque voltaria em muito  melhores condições caso sucedesse Dilma.  Ou não?

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