- Claudio HUmberto
Obras bancadas pelo BNDES no exterior não são fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal ou qualquer órgão de controle. É o caso do financiamento de US$ 684 milhões do Porto Muriel, em Cuba. A condição do BNDES sempre é a mesma, em países latino-americanos ou africanos: entregar a obra a empreiteira brasileira, cuja escolha não tem licitação, nem auditorias. Dilma ontem anunciou mais US$ 360 milhões para bancar o aeroporto de Havana.“Não há nem projeto”, diz o BNDES, surpreso com os US$ 360 milhões para Cuba. Mas já há empreiteira, que soprou o valor no ouvido certo.Só em 2012, US$ 2,17 bilhões do BNDES foram pagos a empreiteiras brasileiras no exterior. Em 2013, até setembro, foram US$ 1,37 bilhão.Os contratos do BNDES no exterior são “secretos”: o teor dos contratos do porto de Mariel, por exemplo, somente será conhecido em 2027.A fórmula “engenhosa”, de tirar montanhas de dinheiro do Tesouro sem licitação, sem controle e sem fiscalização, foi criada no governo Lula.
Obs: o melhor, maior e mais equipado porto brasileiro, foi construído em Cuba, com o nosso dinheiro, enquanto aqui, nossas estradas, ferrovias e portos estão sucateados. Até quanto, amigo eleitor?
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Ninguém fiscaliza financiamento do BNDES no exterior
Bacalhau à lisboeta ao preço de R$27 mil
Jorge Oliveira
Rio – Ao fazer uma escala “técnica” em Portugal para
comer seu bacalhau preferido, como aconteceu em outra viagem recente, a
presidente Dilma e sua comitiva de mais de trinta aspone e puxa-sacos
variados parecem não dar muita importância aos gritos das ruas que
berram por menos ostentação e pela transparência dos gastos na Copa do
Mundo. Alheia ao clamor popular, a presidente esbanja dinheiro público
em luxuosos hotéis e restaurantes em escala fora da agenda oficial.
Apenas pela suíte no Ritz, o contribuinte vai pagar 27 mil reais para hospedar a sua presidente a caminho de Cuba. Em Havana, ela inaugura obras do porto de Mariel, onde o BNDES enterrou quase 700 milhões de dólares a fundo perdido, em um contrato com cláusulas de sigilo. A despesa total para os auxiliares da presidente, que reservaram dois andares no hotel Tivoli, um dos mais caros de Lisboa, não será divulgada pelo Planalto que decidiu carimbá-la como confidencial. Não se saberá também o custo de permanência dessa turma na capital cubana, uma das mais caras do mundo, onde o visitante só gasta em dólar.
É chocante saber que a presidente lotou o Boeing para ir a Davos com uma comitiva de mais de trinta pessoas. Lá, fez um discurso, considerado por economistas internacionais, pobre, malajambrado e vazio, para uma plateia que hoje não dá a menor importância a economia brasileira administrada pelo confuso Guido Mantega, o mágico dos números. Nunca na história desse país tivemos presidente tão inexpressivo representando o seu povo no exterior, como comentaram alguns analistas. Os tecnocratas que em tese estariam ali para arrumar o pensamento fragmentado da Dilma, não perderam a oportunidade para se fartar nos freeshops com cartões corporativos, sustentados pelo contribuinte.
O brasileiro, que paga a conta, não tem acesso a esses gastos da caravana no exterior, o que contraria o discurso da Dilma que se dizia em 2011, depois da posse, empenhada na transparência dos gastos públicos por lei sancionada por ela própria (a de Acesso à Informação). Sabe-se, portanto, que de 2003 a 2010, as despesas secretas com cartões corporativos de Lula, seu antecessor, durante os dois mandatos, foram de R$ 44,5 milhões, dos quais R$ 31,6 milhões para pagar hotéis e locação de carros.
Os últimos dados do governo da Dilma referem-se até abril de 2013, antes do selo confidencial dos gastos. Até aquela data, a presidente já tinha torrado R$ 15,2 milhões com o cartão corporativo. A tendência, no entanto, é que essas despesas aumentem à medida que se aproxima a reeleição. O ano passado, Dilma viajou 71 dias pelo Brasil, um recorde para os seus 46 dias de 2012.
O carimbo de secreto dessas despesas sepulta as esperanças do brasileiro de saber para onde está indo tanto dinheiro no exterior e aqui para os gastos da presidente e de seus privilegiados assessores. O Itamaraty garante que os número serão revelados depois do mandato da presidente Dilma, mas até agora os gastos do Lula, por exemplo, continuam guardados a sete chaves. Cabe ao próprio Itamaraty prolongar a abertura dessas informações por até 15 ou 20 anos se assim lhe convier.
Ao ignorar as manifestações e os apelos das ruas por uma administração austera que respeite os gastos públicos, o governo está brincando com fogo – literalmente. Ao perder o controle dessa convulsão social que pode se alastrar pelo país, certamente lá na frente vai procurar o caminho mais fácil para silenciar os gritos dos sem-vozes: a repressão.
Apenas pela suíte no Ritz, o contribuinte vai pagar 27 mil reais para hospedar a sua presidente a caminho de Cuba. Em Havana, ela inaugura obras do porto de Mariel, onde o BNDES enterrou quase 700 milhões de dólares a fundo perdido, em um contrato com cláusulas de sigilo. A despesa total para os auxiliares da presidente, que reservaram dois andares no hotel Tivoli, um dos mais caros de Lisboa, não será divulgada pelo Planalto que decidiu carimbá-la como confidencial. Não se saberá também o custo de permanência dessa turma na capital cubana, uma das mais caras do mundo, onde o visitante só gasta em dólar.
É chocante saber que a presidente lotou o Boeing para ir a Davos com uma comitiva de mais de trinta pessoas. Lá, fez um discurso, considerado por economistas internacionais, pobre, malajambrado e vazio, para uma plateia que hoje não dá a menor importância a economia brasileira administrada pelo confuso Guido Mantega, o mágico dos números. Nunca na história desse país tivemos presidente tão inexpressivo representando o seu povo no exterior, como comentaram alguns analistas. Os tecnocratas que em tese estariam ali para arrumar o pensamento fragmentado da Dilma, não perderam a oportunidade para se fartar nos freeshops com cartões corporativos, sustentados pelo contribuinte.
O brasileiro, que paga a conta, não tem acesso a esses gastos da caravana no exterior, o que contraria o discurso da Dilma que se dizia em 2011, depois da posse, empenhada na transparência dos gastos públicos por lei sancionada por ela própria (a de Acesso à Informação). Sabe-se, portanto, que de 2003 a 2010, as despesas secretas com cartões corporativos de Lula, seu antecessor, durante os dois mandatos, foram de R$ 44,5 milhões, dos quais R$ 31,6 milhões para pagar hotéis e locação de carros.
Os últimos dados do governo da Dilma referem-se até abril de 2013, antes do selo confidencial dos gastos. Até aquela data, a presidente já tinha torrado R$ 15,2 milhões com o cartão corporativo. A tendência, no entanto, é que essas despesas aumentem à medida que se aproxima a reeleição. O ano passado, Dilma viajou 71 dias pelo Brasil, um recorde para os seus 46 dias de 2012.
O carimbo de secreto dessas despesas sepulta as esperanças do brasileiro de saber para onde está indo tanto dinheiro no exterior e aqui para os gastos da presidente e de seus privilegiados assessores. O Itamaraty garante que os número serão revelados depois do mandato da presidente Dilma, mas até agora os gastos do Lula, por exemplo, continuam guardados a sete chaves. Cabe ao próprio Itamaraty prolongar a abertura dessas informações por até 15 ou 20 anos se assim lhe convier.
Ao ignorar as manifestações e os apelos das ruas por uma administração austera que respeite os gastos públicos, o governo está brincando com fogo – literalmente. Ao perder o controle dessa convulsão social que pode se alastrar pelo país, certamente lá na frente vai procurar o caminho mais fácil para silenciar os gritos dos sem-vozes: a repressão.
José Dirceu recorre por benefícios
A VEP determinou a suspensão por 30 dias da análise do pedido de Dirceu para trabalhar fora da prisão, no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi, com salário de R$ 2,1 mil por mês. A suspensão do pedido foi determinada até que termine a investigação interna sobre denúncias de uso de telefone celular dentro do Presídio da Papuda, no Distrito Federal, pelo ex-ministro.
Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 17 de janeiro, Dirceu conversou por celular com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia, James Correia. De acordo com o texto, a conversa foi possível com a ajuda de uma pessoa que visitou Dirceu. Na ocasião, a defesa do ex-ministro negou que a conversa tenha ocorrido e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal abriu processo administrativo para investigar o caso.
Não há prazo para apreciação do recurso apresentado pela defesa de José Dirceu ao STF. Se o recurso for acatado, ele poderá ser autorizado a trabalhar fora da prisão durante o dia, na biblioteca do escritório de advocacia, voltando à noite para dormir na Papuda. Ele foi convidado para trabalhar na pesquisa de processos e jurisprudência, além de colaborar na parte administrativa, das 8h às 18h, com uma hora de descanso para o almoço. O ex-ministro foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão.
Diário do Poder
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Bernardi propõe exigência de lavatórios externos em espaços de alimentação
Começou
a tramitar, na Câmara de Curitiba, projeto de lei que obriga
restaurantes, lanchonetes, bares e praças de alimentação a instalarem
lavatórios externos aos banheiros para uso dos clientes. Segundo a
proposição (005.00011.2014),
de autoria do vereador Jorge Bernardi (PDT), o lavatório deve conter
pia, porta-papel descartável ou secador de mãos, torneira com fechamento
automático e álcool gel.
A proposta é reapresentação de projeto protocolado em 2013, pelo vereador Cacá Pereira (PSDC), mas que foi arquivado pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação, que alegou ser a medida uma limitadora da atividade profissional dos restaurantes (005.00109.2013). No entanto, segundo Bernardi, o tema deveria ter sido debatido em plenário.
Segundo a justificativa do projeto, o objetivo é oportunizar ao cliente a higienização das mãos antes da refeição. “Tem-se notado que muitos restaurantes possuem lavatórios dentro do ambiente dos banheiros e, na saída, o usuário tem que abrir a porta, 'sujando' novamente as mão, com a possibilidade de sair transportando mais bactérias do que quando entrou”, explica Bernardi.
De acordo com o texto, é preciso que regras básicas de higiene sejam seguidas para minimizar o risco no manuseio de alimentos. “Ocorre que esta medida simples muitas vezes é impossibilitada pela falta de lavatório nos estabelecimentos”, acrescenta o parlamentar.
Se aprovada, a adequação será condição prévia para a autorização de funcionamento, como alvará e licença sanitária, emitidos pelos órgãos municipais. Já os estabelecimentos antigos terão o prazo de 180 dias para atender à exigência e obter a renovação da documentação.
A proposta é reapresentação de projeto protocolado em 2013, pelo vereador Cacá Pereira (PSDC), mas que foi arquivado pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação, que alegou ser a medida uma limitadora da atividade profissional dos restaurantes (005.00109.2013). No entanto, segundo Bernardi, o tema deveria ter sido debatido em plenário.
Segundo a justificativa do projeto, o objetivo é oportunizar ao cliente a higienização das mãos antes da refeição. “Tem-se notado que muitos restaurantes possuem lavatórios dentro do ambiente dos banheiros e, na saída, o usuário tem que abrir a porta, 'sujando' novamente as mão, com a possibilidade de sair transportando mais bactérias do que quando entrou”, explica Bernardi.
De acordo com o texto, é preciso que regras básicas de higiene sejam seguidas para minimizar o risco no manuseio de alimentos. “Ocorre que esta medida simples muitas vezes é impossibilitada pela falta de lavatório nos estabelecimentos”, acrescenta o parlamentar.
Se aprovada, a adequação será condição prévia para a autorização de funcionamento, como alvará e licença sanitária, emitidos pelos órgãos municipais. Já os estabelecimentos antigos terão o prazo de 180 dias para atender à exigência e obter a renovação da documentação.
Oposição cobra explicações sobre parada de Dilma em Portugal
GABRIELA GUERREIRO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
A oposição vai pedir informações à Presidência da República sobre a parada técnica da presidente Dilma Rousseff em Lisboa, onde se hospedou em um hotel de luxo e jantou num dos melhores restaurantes da capital portuguesa.
Sem compromissos oficiais em Portugal, a presidente permaneceu por algumas horas em Lisboa numa pausa da viagem entre Zurique (Suiça) e Havana (Cuba). Dilma participou do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suiça, e fará visita oficial à capital cubana.
Líderes do PSDB vão pedir que o Congresso solicite as informações ao governo federal e, se receberem a confirmação de que Dilma e sua comitiva tiveram gastos excessivos no país, vão pedir o ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos.
"Se a presidente não tem compromissos oficiais em Lisboa, não tem como justificar esse turismo com dinheiro público. Há que se restituir os cofres públicos", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Líder do PSDB na Câmara, o deputado Carlos Sampaio (SP) afirmou que a viagem é um "disparate" no momento em que o Brasil enxuga gastos em meio à instabilidade econômica internacional. "É um total disparate, uma afronta aos brasileiros. Dilma quer se reeleger para continuar passeando com dinheiro público", atacou o tucano.
Os oposicionistas afirmam que Dilma tinha a Embaixada do Brasil em Portugal para se hospedar sem desembolsar dinheiro público. "É fácil promover gastos como esse em Lisboa quando se tem para quem mandar a conta: para os brasileiros", completou Sampaio.
O Palácio do Planalto justificou a pausa em Lisboa com o argumento de que o avião presidencial não tinha autonomia para levar diretamente da Suiça à Cuba e precisava fazer uma parada técnica.
A presidente chegou a Lisboa por volta das 17h (horário local) de sábado e se hospedou no Ritz, um dos mais caros da capital portuguesa. Uma parte da equipe ficou hospedada no Tívoli, outro hotel de luxo. Dilma já deixou Lisboa rumo a Cuba.
A presidente fez a viagem acompanhada pelos ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), além de Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência.
A Folha apurou que Dilma aproveitou a parada e saiu para jantar em um tradicional restaurante na capital portuguesa.
Dilma vai a Cuba inaugurar porto financiado com empréstimo sigiloso do BNDES
Dilma vai a Cuba inaugurar porto financiado com empréstimo sigiloso do BNDES
Depois de participar do Fórum Econômico Mundial na Suíça, a presidente Dilma Rousseff viaja neste fim de semana para Cuba, onde cumprirá uma agenda de eventos com países da América do Sul, Central e do Caribe. Entre os compromissos de Dilma na ilha caribenha está um encontro, na próxima segunda-feira, com o presidente cubano Raúl Castro. Na ocasião, Dilma e Castro irão inaugurar a primeira fase do Porto de Mariel. A obra conta com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de mais de US$ 500 milhões.O valor total do investimento do governo brasileiro em obras na ilha de Cuba, entretanto, dificilmente será totalmente conhecido, já que o Palácio do Planalto impôs sigilo completo às operações de empréstimos feitos pelo BNDES ao poder federal cubano. Em audiência realizada no Senado no final do ano passado, o senador Alvaro Dias questionou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sobre o motivo de o governo ter imposto a tarja de sigilo a essas operações, e o dirigente, na ocasião, defendeu o caráter sigiloso dos empréstimos “por observância à legislação do país de destino do financiamento”.
Após a fala de Coutinho, o senador Alvaro Dias rebateu os argumentos do presidente do BNDES e lhe deixou um questionamento: “então, deve o Brasil emprestar dinheiro nessas condições, atendendo às legislações dos países que tomam emprestado, à margem de nossa legislação de transparência absoluta na atividade pública?”.
Como destacou o jornalista José Casado, do jornal “O Globo”, em artigo publicado alguns dias após a audiência, após a pergunta do senador Alvaro Dias, “o silêncio de Luciano Coutinho ecoou no plenário”. O jornalista, em seu artigo, concluiu afirmando que “o governo Dilma Rousseff avança entre segredos e embaraços nas relações com tiranos”.
Alvaro Dias
Força de trabalho encolhe no Nordeste
DE SÃO PAULO
Além da maior taxa de desemprego do país, a região Nordeste abriga a maior proporção de pessoas que não trabalham nem procuram ocupação -e esse percentual está crescendo.
O descompasso entre o mercado de trabalho nordestino e o do resto do país ficou evidente com a nova pesquisa de emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que passou a coletar dados em todo o território nacional.
Enquanto a apuração anterior, limitada às maiores metrópoles, sugeria um cenário de pleno emprego, os novos números mostraram que no Nordeste 10% procuram uma vaga sem conseguir.
Além disso, na região, 43,9% das pessoas consideradas em idade de trabalhar -de 14 anos de idade ou mais- estão fora do mercado, por opção ou por desalento. No país, o percentual médio é de 38,5%.
Não parece difícil imaginar por que os números nordestinos são mais elevados que os das demais regiões: pobreza, setor empresarial menos estruturado e menor participação do trabalho feminino são explicações plausíveis.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
Montado a partir de pesquisas populacionais do IBGE, o banco de dados do Ipea aponta que, em dez anos, a população economicamente ativa -quem trabalha e quem procura emprego- caiu de 55,7% para 51,8% da população em idade ativa (nesse cálculo, entram pessoas com dez anos de idade ou mais).
Nesse período, de 1992 a 2012, o percentual cresceu no Sudeste, no Centro-Oeste e no Norte, com leve queda no Sul. O Nordeste, que fez cair o percentual do país, teve crescimento econômico acima da média nacional.
"É um certo paradoxo", diz a pesquisadora Ana Luiza Neves, do Ipea. Um estudo do instituto mostra que, de 2009 para cá, a força de trabalho diminuiu em todas as regiões -e a queda nordestina foi a mais aguda.
Segundo os dados nacionais, boa parte dessa diminuição se deve a jovens que retardam o ingresso no mercado -na melhor das hipóteses, porque podem estudar mais; na pior, porque não acreditam nas suas chances de conseguir uma ocupação.
As pesquisas disponíveis ainda não permitem identificar com segurança se o encolhimento da força de trabalho está mais ligado a bons ou maus motivos, mas o Ipea adianta que, entre os brasileiros de 15 a 24 anos de idade, 40,6% das mulheres e 25,7% dos homens estão fora da escola.
BENEFÍCIOS SOCIAIS
Para o economista Miguel Pinho Bruno, estudioso do mercado de trabalho, a maior oferta de educação e benefícios sociais deu opções para jovens e adultos.
"Em vez de aceitar imediatamente um emprego de baixa remuneração, a pessoa pode ficar na escola ou recorrer a algum programa social."
Ele é cauteloso, porém, ao relacionar os programas de renda, como o Bolsa Família, à redução da força de trabalho no Nordeste, porque os dados sobre isso ainda são precários.
Ana Luiza Neves não acredita nessa hipótese: "A evidência empírica mostra que o impacto desses programas no mercado de trabalho é quase nulo".
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