segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Instituto voltado à equoterapia pede apoio aos vereadores


A Tribuna Livre da Câmara Municipal debateu, na quarta-feira (21), a equoterapia, método de reabilitação de pessoas com deficiência que usa o cavalo e o ambiente como instrumento terapêutico. A Casa recebeu fisioterapeutas e uma paciente do Instituto Andaluz, sediado em Curitiba, responsável pelo atendimento de 120 crianças e jovens, 40% deles bolsistas. A proposição foi do vereador Paulo Rink (PPS).
  
A fisioterapeuta Ana Carolina Matos, presidente da entidade, explicou que o trabalho alia a equoterapia à assistência psicológica ao paciente e familiares. A maior parte dos jovens possui autismo e paralisia cerebral, dentre outras indicações da terapia. “O cavalo é usado como instrumento terapêutico porque é o animal com o movimento do anco mais semelhante ao do homem. O cadeirante tem a sensação de estar andando”, disse.
  
No entanto, segundo Ana Carolina, a fila de espera, “devido à falta de investimentos”, é de seis anos. Ela também afirmou que a entidade aguarda a liberação de emenda parlamentar de R$ 10 mil, que será usada para melhorias na pista de atendimento. Paulo Rink, por sua vez, destacou que a equoterapia é um método cientificamente comprovado para a reabilitação física e psíquica, reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina, e que a capacidade do instituto é de receber até 200 pacientes.
  
“Precisamos do apoio dos vereadores para ampliar os atendimentos com a equoterapia e aos familiares dos jovens”, completou a fisioterapeuta Viviane Trauz, que também integra o Instituto Andaluz, fundado em 2008 e detentor da utilidade pública municipal. A entidade é mantida com a contribuição dos pais e responsáveis que têm condições financeiras e doações de pessoas físicas e jurídicas.
  
“É um belo trabalho, agradeço o instituto”, afirmou a paratleta Bianca Ribas, que relatou os avanços adquiridos por meio do método de reabilitação. Paciente do Instituto Andaluz, a jovem integra a seleção brasileira de bocha e, com o auxílio da equoterapia, prepara-se para os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Projeto proíbe derivados de petróleo em obras municipais


O vereador Bruno Pessuti (PSC) apresentou projeto que proíbe o uso de solventes derivados do petróleo nas obras viárias realizadas no município. A medida exclui, por exemplo, um dos tipos mais comuns de revestimento asfáltico utilizado no Brasil, conhecido como CBUQ (compactação de concreto betuminoso usinado a quente), cujos agentes antiaderentes são à base de petróleo (005.00316.2013).

“Durante a execução de obras de pavimentação asfáltica é comum vermos os trabalhadores borrifarem diesel ou solventes derivados do diesel para retirar o concreto asfáltico dos rolos compactadores. Essa ação, por mais que favoreça a realização da obra, acaba gerando dois grandes problemas: a poluição ambiental e a redução da qualidade do asfalto já finalizado”, argumenta o vereador.

De acordo com o texto do projeto, entre os solventes derivados do petróleo, estão o diesel, o querosene e a gasolina. Se tais substâncias dissolvem o ligante asfáltico na caçamba, o mesmo também ocorre nos rolos compactadores. Após o borrifamento desse material sobre o rolo compressor, ele acaba se acumulando sobre a superfície asfáltica. “Na primeira chuva, esse solvente escorre e polui córregos e rios”, expõe Pessuti.

“Se esses solventes dissolvem o ligante, que ao final cai no asfalto já pronto, temos um produto final com qualidade inferior, o que reduz a sua vida útil e faz com que sejam frequentes os reparos e reformas, aumentando as despesas ao erário, além da já referida poluição ao meio ambiente”, afirma. O projeto determina multa diária de R$ 1 mil por dia enquanto durar a infração.

Dilma lança de novo o plano que Lula inventou em 2009 e nunca desceu do palanque


Em 21 de outubro de 2009, o palanque ambulante estacionou em Ouro Preto para anunciar mais um assombro concebido pelo pai do Brasil Maravilha: ”O PAC das Cidades Históricas é a maior ação conjunta pela revitalização e recuperação das cidades históricas já implantado em nosso país”, gabou-se Lula ao lado da ministra Dilma Rousseff, mãe do projeto e já em campanha pela sucessão presidencial. Ainda naquele ano seriam liberados R$ 140 milhões, prometeu o padrinho da candidata. E até o fim de 2012 uma chuva de R$ 890 milhões inundaria 173 cidades distribuídas por todos os estados brasileiros.

‘Promessas recicladas’, editorial do Estadão



Publicado no Estadão desta segunda-feira

O governo petista é bom de promessas. Em 2010, por exemplo, prometeu entregar até julho deste ano uma ferrovia na Bahia, mas ainda não instalou nem um único metro de trilho. Outra especialidade é anunciar como se fosse novo um investimento prometido anos antes. Foi o que a presidente Dilma Rousseff fez ao lançar com fanfarra um programa de 2009, o PAC das Cidades Históricas. Com isso, ela deixou claro que não terá nenhum pudor em usar truques marqueteiros para confundir o eleitor, na sua ânsia de recuperar a popularidade e minar adversários.

Na terça-feira passada, Dilma foi a São João del-Rei para anunciar a liberação de R$ 1,6 bilhão para as ações do PAC com vista à restauração de cidades históricas em 20 Estados. A escolha daquele município mineiro para a montagem do palanque da candidata à reeleição não foi nada sutil: trata-se da cidade natal de Tancredo Neves, avô do tucano Aécio Neves, cotado para disputar a Presidência.
Dilma, que discursou de costas para uma estátua de Tancredo, ressaltou sua mineiridade e, com a profundidade que lhe é característica, disse que escolheu São João del-Rei para o evento porque foi lá que nasceram “grandes brasileiros e brasileiras”. Bem ao estilo de Lula, seu criador, Dilma apelou ao “nunca antes”, dizendo que o PAC das Cidades Históricas “é o maior e mais abrangente programa de preservação cultural já realizado no Brasil”. Segundo ela, é nas cidades históricas que se aprende “o sentido da liberdade, do desenvolvimento, da soberania e da justiça social”. Aprende-se também, seria o caso de acrescentar, que é preciso preservar a memória para não se deixar ludibriar por demagogia e falsas promessas.
O PAC das Cidades Históricas é, com o perdão do trocadilho, uma histórica embromação. Quando foi anunciado pela primeira vez, em outubro de 2009, o programa previa benefícios a 173 cidades, com investimentos de R$ 890 milhões até 2012. Na ocasião, ao lado de uma estátua de Tiradentes, o presidente Lula disse que aquela seria “a maior ação conjunta pela revitalização e recuperação das cidades históricas já implantada no nosso país”. Como se vê, entre o discurso de Lula e o de Dilma, só a estátua mudou.
Sem que nenhum centavo da verba anunciada por Lula fosse efetivamente liberado, o programa foi sendo vitaminado, nos discursos do governo, à medida que se aproximavam as eleições. Em junho de 2010, a quatro meses do primeiro turno da votação para presidente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou, em Minas Gerais, que o PAC das Cidades Históricas havia tido a adesão de mais municípios e que o valor somado dos recursos federais, estaduais e municipais chegaria a R$ 1,129 bilhão.
O programa, no entanto, permanecia apenas no papel quando foi relançado em setembro de 2012, às vésperas das eleições municipais. Na posse da ministra da Cultura, Marta Suplicy, Dilma informou, orgulhosa, que seria investido R$ 1 bilhão nas cidades históricas.
O valor ficou ainda maior em janeiro deste ano, quando Dilma voltou a tocar no assunto em discurso a prefeitos em Brasília. Além do R$ 1 bilhão anunciado anteriormente, seriam liberados mais R$ 300 milhões em financiamentos para a restauração de prédios privados.
No entanto, a reciclagem do PAC das Cidades Históricas reduziu o total de cidades contempladas ─ das 173 prometidas por Lula, restaram agora apenas 44. Dos 20 municípios mineiros que haviam assinado convênios com o Iphan na esperança de participar do programa, somente 7 permaneceram na lista. O prazo da liberação do dinheiro, no entanto, ficou para 2015.
Seja como for, a julgar pelo histórico, não é o caso de nutrir esperanças de que o governo petista enfim passe da retórica eleitoreira à ação e que esse imenso patrimônio cultural brasileiro venha a ser devidamente preservado. No final do ano passado, a própria presidente do Iphan, Jurema Machado, admitiu ao jornal Estado de Minas que o PAC das Cidades Históricas era uma miragem: “O Iphan tentou pegar o PAC e executar, mas ele de fato não existiu”.

Oposicionistas: revelação que envolve Lewandowski é grave. Representantes de PSDB, DEM e PPS cobram esclarecimentos após VEJA revelar que, quando presidiu o TSE, ministro interviu para impedir rejeição de contas do PT e de Dilma


 Gabriel Castro

O ministro Ricardo Lewandowski durante retomada do julgamento do mensalão, em 12/11/2012 (Fernando Bizerra Jr./EFE)

Revista Veja Online


Parlamentares de oposição afirmaram neste sábado que as revelações de VEJA sobre a atuação do ministro Ricardo Lewandowski em processos envolvendo o PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são graves e precisam ser apuradas a fundo.

Depoimento prestado pelo auditor Rodrigo Aranha Lacombe, do próprio tribunal, mostram que, em 2010, o TSE sumiu com relatórios que apontavam irregularidades e recomendavam a rejeição da prestação de contas apresentada pelo PT em 2003 – quando o esquema do mensalão começava as ser montado. Algo parecido aconteceu, também em 2010, com o processo que analisava os gastos da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Novamente, documentos que apontavam irregularidades sequer foram anexados ao processo.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), diz que o episódio revela que o PT gozou de privilégios no TSE durante a gestão de Lewandowski, que presidia o colegiado na ocasião. "É preciso que a denúncia feita seja suficientemente esclarecida; do contrário as ruas vão se mover mais dez mil vezes. É esse tipo de coisa que leva à indignação de todos brasileiros", afirma o democrata.

Agripino diz confiar que a gestão atual do TSE, sob o comando da ministra Cármen Lúcia, vai aprofundar as investigações sobre os episódios envolvendo Lewandowski. "A ministra vai mandar inspecionar porque é isenta. Ela não está comprometida", diz o senador.

O presidente do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP), diz que é preciso cautela, mas afirma que as informações da sindicância são gravíssimas: "Não se pode imaginar que o poder Judiciário, por decisão de um de seus membros, fraude um processo. Não é um problema de simples investigação ou inquérito; envolve o representante de um poder da República. E, tal como o presidente da República, a pena é o impeachment", diz o parlamentar.

Já o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) afirma que é preciso alterar, com urgência, as normas sobre a prestação de contas eleitorais ao TSE. O tucano diz que, pela lógica em vigor, explicitada por Lewandowski na reportagem de VEJA, os ocupantes de cargos importantes acabam saindo impunes porque a Justiça Eleitoral não se atreve a retirar do poder um presidente da República, por exemplo.

“Provavelmente como forma de aplacar consciências, as penalidades ocorrem só quando se trata de pequenos, como prefeitos de municípios com poucos habitantes”, critica o tucano.

Para o senador do PSDB, os episódios mostrados por VEJA também depõem contra a proposta de financiamento público de campanha, que exigiria um trabalho gigantesco de fiscalização por parte do TSE. "Isso dificulta a defesa da tese do financiamento público, porque nós não temos mecanismos de fiscalização e controle adequados", pondera.

QUE VERGONHA! PMDB ignora o escrúpulo e leva ao ar programa político em que a estrela maior é o papa Francisco





Audácia dos bofes – Se até agora a política era considerada a arte da incoerência, a partir de quinta-feira (22) pode ser rotulada facilmente como uma homenagem ao descaramento. Isso porque, na noite de ontem, o PMDB abusou da ousadia e levou ao ar um programa político em que a estrela maior foi ninguém menos que o papa Francisco. Durante boa parte do programa, aproximadamente oito minutos, atores contratados para falar sobre democracia dividiam a cena com o chefe da Igreja Católica, que em sua recente estada no Brasil mostrou ser muito popular.

Que os políticos desconhecem as fronteiras da imoralidade todos sabem, mas pegar carona na popularidade e na simpatia do papa foi uma mostra de inconteste de falta de escrúpulos. O mais interessante é que somente nos dois minutos finais é que o programa do PMDB exibiu a imagem de políticos. Numa mostra de que a falta de bom senso não tem limite, pelo menos no PMDB, na telinha da tevê apareceu uma trinca que é verdadeira ode ao pecado: Michel Temer, vice-presidente da República; Renan Calheiros, presidente do Senado Federal; e Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados.

Nos derradeiros dois minutos do programa, a estrela foi Michel Temer, que na maior parte do tempo apareceu ao lado do papa Francisco. A coincidência da abusada incursão televisiva do PDMB ficou por conta de Renan Calheiros, que horas antes de o programa ir ao ar ocupou as manchetes nacionais por ser o mais novo operador do milagre da multiplicação. Com um salário bruto de R$ 25,6 mil mensais, Renan comprou por R$ 2 milhões uma mansão em Brasília, sendo que parte desse montante será pago em parcelas semestrais de R$ 152 mil.

O programa do PMDB, um direito garantido pela legislação eleitoral, teve o seu lado bom. Mostrou aos brasileiros, mais uma vez, que políticos fazem qualquer para ludibriar a opinião pública. Até mesmo pegar carona na imagem do papa. Mas depois que a ateia Dilma Rousseff posou de carola no Vaticano, vale tudo, como cantava o saudoso Tim Maia.

Commodities cubanas


Por Mary Zaidan

Acabam de desembarcar no Brasil os primeiros médicos estrangeiros do polêmico Mais Médicos, carro-chefe da campanha eleitoral do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo do Estado de São Paulo, que nem se preocupa em esconder isso. Até foi ao aeroporto receber quatro deles, sendo dois brasileiros formados lá fora, que apostam na chance de exercer a profissão na terra natal sem o Revalida, teste que no ano passado aprovou apenas 7,5% dos brasileiros com diploma estrangeiro.
Mais do que ninguém, Padilha sabe que a precariedade do atendimento à saúde não reside no médico e que pouco adiantará multiplicar jalecos brancos sem infraestrutura. Mas como luta contra o tempo para dar cara à sua gestão, tenta, a cada dia, costurar um discurso novo para remendar os furos de um programa parido às pressas para lhe garantir palanque.

Em menos de dois meses, criou a extensão do curso de medicina para oito anos, os dois últimos no SUS, e recuou; anunciou que contrataria seis mil médicos cubanos, desistiu e desistiu da desistência. Para tal, assinou o mais rápido acordo bilateral de que se tem notícia na história, permitindo que 400 médicos cubanos cheguem já nesta semana, quatro mil no total.
Exportar médicos é um negócio extremamente lucrativo para Cuba. Dados da BBC mostram que os médicos-commodities rendem algo em torno de U$ 5 bilhões ao ano à ilha. Hoje, há contratos de exportação para mais de 60 países. O maior e mais lucrativo deles, com a Venezuela, rende 100 mil barris de petróleo/dia.
Por aqui, o Ministério da Saúde informa que repassará R$ 511 milhões à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) até fevereiro de 2014, e que caberá à entidade pagar ao governo cubano. Ou seja, aplica-se o modelo bolivariano: o contrato é com o governo Raúl Castro e não com os profissionais, tratados como mercadoria.
É no acordo via Opas que o governo sustenta a legalidade de os médicos não receberem diretamente suas remunerações. Só não alardeiam que o representante da Opas no Brasil é Joaquin Molina, odontólogo cubano. Talvez isso explique a celeridade do acordo.
Há outras janelas. De 2006 para cá, mais de 500 estudantes brasileiros foram admitidos nas faculdades de medicina de Cuba a partir de seleção que teria como critério militância em movimentos sociais ou indicação partidária. Resta saber se trazê-los de volta fez parte do veloz acordo.
Quanto aos cubanos, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, já avisou que o Brasil não concederá asilo a importado algum. Não reconhece que Cuba obriga a exportação, com represálias aos que a ela se negam.
Para o governo Dilma Rousseff, Cuba é aqui.
Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes.