segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Marcelo Odebrecht disse que Dilma ‘mentiu’ sobre Cuba


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O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse que a presidente Dilma Rousseff mentiu ao falar sobre o financiamento para a construção do Porto de Mariel, em Cuba, durante o último debate do segundo turno da campanha eleitoral, em outubro do ano passado. Assim que Dilma garantiu na TV ao então candidato Aécio Neves que o empréstimo para a obra teria como garantia a Odebrecht, responsável pelo projeto, o presidente da construtora não se conteve. Em mensagem a um dirigente, interceptada pela Polícia Federal, Marcelo foi taxativo:
“Ela (Dilma) disse que as garantias são da empresa, e não do governo de Cuba. Ela está mentindo”, escreveu ele.
A acusação está numa troca de mensagens entre Marcelo Odebrecht e Benedicto Barbosa da Silva Junior, um dos executivos do grupo. O material integra novo relatório de investigação da PF sobre o esquema de corrupção na Petrobras.
Marcelo mandou a mensagem quando Dilma e Aécio discutiam sobre as obras do porto cubano. O tucano criticava o empréstimo do BNDES para a obra. Quando o senador alegou que “o governo brasileiro aceitou que essas garantias fossem dadas em pesos cubanos num banco na ilha de Cuba”, Dilma rebateu:
— Sempre que se financia uma empresa, as cláusulas de um financiamento diz respeito a essa empresa. As garantias são elas quem dão, não é Cuba, quem dá a garantia é a empresa brasileira para o BNDES.
Depois de escrever que Dilma estaria mentindo, Marcelo sugeriu que Benedicto passasse um torpedo para a “irmã”, tratando do que chamou de mentira da presidente, mas volta atrás na decisão: “Passe um torpedo para a irmã. O financiamento e as garantias são do governo de Cuba. Aliás, melhor deixar quieto, vai que ela (a irmã) mostra seu torpedo para alguém lá!”.
PF NÃO INFORMA QUEM SERIA “IRMÔ CITADA
O financiamento do Porto de Mariel, a 40 quilômetros de Havana, foi alvo de polêmica na campanha de 2014. A obra é investigada em dois inquéritos onde o Ministério Público apura se houve irregularidade na concessão de empréstimo do BNDES.
O porto custou US$ 957 milhões, dos quais US$ 682 milhões foram financiados pelo banco. Documentos encaminhados à CPI do BNDES pelo próprio banco indicam que parte dos contratos foi garantida pelo governo cubano por meio do Banco Nacional Cubano (BNC). Num deles, é informado que o Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (COFIG) “aprovou em 29 de janeiro de 2010 cobertura do Seguro de Crédito à Exportação com lastro no Fundo de Garantia às Exportações ao projeto Porto de Mariel”. No site do BNDES, a garantia informada sobre os empréstimos concedidos ao porto é “seguro de crédito/FGE”.
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O Fundo de Garantia às Exportações (FGE) é formado com dinheiro do Tesouro Nacional e administrado pelo próprio BNDES. O comitê é composto apenas por integrantes do governo federal.
Procurada pelo GLOBO, a Odebrecht “lamentou o vazamento de informações” e reafirmou que a troca de mensagens apenas esclareceu o tema, para que “não prevalecesse informação incorreta”.
O BNDES, assim como o Palácio do Planalto, não responderam às questões encaminhadas pelo GLOBO. A assessoria da empreiteira informou apenas que os dados sobre a operação estavam disponíveis no site do banco.

Câmara de Curitiba quer virar empresa privada

Do Bem Paraná

Após quase dois anos de negociações com servidores efetivos e o SindiCâmara (Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal de Curitiba), a Comissão Executiva do Legislativo protocolou um projeto de resolução para regulamentar a jornada de trabalho e o banco de horas (004.00002.2015). O debate inciou no final de 2013, antes da implantação do ponto biométrico, efetivada em outubro de 2014 (leia mais) – hoje o uso desse dispositivo é obrigatório a todos os funcionários efetivos da Casa e parte dos terceirizados, não valendo para os comissionados.

A carreira de Luís Cláudio da Silva, o caçula de Lula

Alexandre Salvador e Wálter Nunes, Veja

Os policiais ele não convenceu. Na quarta-feira passada, Luís Cláudio Lula da Silva, filho caçula do ex-presidente Lula, entrou acompanhado de quatro advogados na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Das 3 e meia da tarde às 7 e meia da noite, ele se empenhou em convencer o delegado Marlon Cajado, responsável pela Operação Zelotes, de que os 2,4 milhões de reais que recebeu entre 2014 e 2015 do escritório de lobby Marcondes & Mautoni eram referentes a pagamento por “trabalhos prestados” por sua empresa, a LFT Mar­keting Esportivo. A Marcondes & Mautoni é suspeita de ter negociado com autoridades do governo a renovação de uma medida provisória que, decretada em 2014, prorrogou benefícios para empresas do setor automotivo – o grosso da clientela do escritório. Seu principal sócio, Mauro Marcondes Machado, está preso desde o último dia 26.
Segundo Luís Cláudio, os trabalhos prestados à Marcondes & Mautoni consistiram em projetos de “pesquisa, avaliações setoriais e elaboração propriamente dita”, com “foco relacionado à Copa do Mundo (2014) e à Olimpíada” do Rio (2016). Para justificar o fato de a LFT, que não possui nenhum funcionário registrado, ter sido escolhida para executar tão bem remunerado trabalho, Luís Cláudio alegou que sua “expertise não se restringe à formação superior em educação física” – ele se formou pela FMU, em São Paulo -, mas “tem lastro na prestação de serviço, por cinco anos ininterruptos, em quatro dos mais destacados clubes de futebol”: São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians. Luís Cláudio de fato passou pelos quatro clubes, sempre levado por amigos do pai (veja o quadro abaixo), mas em nenhum deles desempenhou atividade que pudesse ter utilidade nos projetos que diz ter desenvolvido para o escritório hoje sob investigação da PF.
O caçula de Lula entrou no São Paulo como estagiário no departamento amador do clube, e dali em diante, nos demais times onde esteve, nunca passou de auxiliar de preparador físico. “Ele desempenhava funções simples, como colocar os cones no gramado para os treinos dos jogadores e acompanhar as sessões de musculação dos atletas”, contou um ex-colega do Palmeiras (esse mesmo colega lembrou também que, apesar do cargo modesto, “Lulinha”, como era chamado pelos colegas, raramente perdia uma viagem com o time na temporada de jogos). Depois de cinco anos de clube em clube, Luís Cláudio abriu a LFT Marketing Esportivo, em fevereiro de 2011. Um de seus primeiros clientes foi o Corinthians, cujo presidente à época, Andrés Sanchez, era próximo de Lula. A função da LFT era captar patrocínio para os esportes amadores do clube.
Foi essa mesma aptidão para atrair recursos que levou a LFT a ser convidada a associar-se ao ex-locutor André Adler, que fez a carreira comentando eventos esportivos e morreu em 2012. Sua empresa promovia jogos de futebol americano em um torneio chamado Touchdown. Essa nova sociedade, afirma a defesa de Luís Cláudio, aproximou-o da Marcondes & Mautoni. Depois que a Touchdown perdeu o patrocínio que a Hyundai ofereceu ao torneio por dois anos, o caçula de Lula teria procurado a consultoria para garimpar novos recursos no setor automotivo. Acabou saindo de lá com o contratão de 2,4 milhões de reais para fazer pesquisas sobre a Copa e a Olimpíada, ainda que nenhum dos temas se beneficie de conhecimentos sobre jogos de futebol americano ou colocação de cones no campo.
Luís Cláudio diz ter se aproximado da Marcondes & Mautoni apenas há alguns anos, mas a relação entre o dono da empresa e seu pai vem de longa data. O lobista Mauro Marcondes conhece o ex-presidente desde o fim da década de 70, quando trabalhava na Volkswagen e Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A Polícia Federal acredita que ele manteve contato com o petista pelo menos até agosto de 2013, período em que estaria “negociando” a medida provisória que favoreceu seus clientes com impostos mais baixos.
Dois pontos do depoimento do filho de Lula foram considerados pela polícia particularmente “inconsistentes” e “pouco convincentes”. Para os investigadores, a natureza da LFT não justificaria sua contratação para a finalidade alegada. E, ainda que esse trabalho tivesse sido encomendado e realizado, o preço atribuído a ele parece anormal.
O passado recente do filho caçula do ex-presidente Lula registra uma trajetória ascendente e fulminante. Já seu futuro, a contar pela reação dos inves­tigadores ao seu depoimento, parece bem menos promissor.

Benzedeiras resistem ao tempo e lutam para manter tradição viva no Paraná


Cada vez mais raras de se encontrar, as “intermediárias de Deus” ainda curam males do corpo e do espírito

Rodolfo Luis Kowalski
 
Joanita Good Barausse, uma das 61 benzedeiras na Grande Curitiba: “Esse é meu dom e é uma missão que Deus me confiou” (foto: Franklin de Freitas)
Elas nasceram com um dom (o da cura) e uma missão (ajudar ao próximo). Para isso, sacrificam as próprias vidas, e o fazem com devoção, algo cada vez mais raro em uma sociedade personalista. Elas são as famosas benzedeiras, que apesar dos avanços tecnológicos e da ampliação do acesso à saúde, resistem ao tempo e mantém viva essa tradição secular, atuando como intermediárias de Deus e “curando” males diversos, sejam eles físicos, psicológicos ou espirituais.
Em Curitiba e região metropolitana, encontrar uma benzedeira não chega a ser uma tarefa difícil, mas certamente já foi bem mais fácil. De acordo com um estudo coordenado pelo historiador Victor Augustus Graciotto Silva, em 2009 existiam cerca de 61 benzedeiras tradicionais na Capital — que eram reconhecidas pela comunidade como benzedeiras e que não cobravam pelo benzimento (grande parte aceitava “agrados”, seja em dinheiro, seja em produtos alimentícios). 
Mais para o interior do Paraná, a tarefa de encontrá-las fica mais simples. No Centro-Sul do estado, a cerca de 200 quilômetros da Capital, o Movimento Aprendizes da Sabedoria (Masa) identificou 294 delas — 161 em São João do Triunfo e 133 em Rebouças.

A maioria das rezadeiras segue a fé católica, pedindo a intercessão de algum santo de devoção ou mesmo conversando diretamente com Deus. Esse é o caso da Joanita Good Barausse, de Campo Largo. Católica fervorosa, além de benzedeira ela ainda atua como missionária e participa da diretoria da igreja que frequenta. Aos 74 anos, há 46 atua como benzedeira e conta com a ajuda de Nossa Senhora Aparecida e Santa Paulina para atender todos os dias entre 30 e 70 pessoas.
“Já nasci com o dom. Desde criança, quando outras crianças caíam e se cortavam, eu colocava o dedo e estancava o sangramento, colocava braço deslocado no lugar, e isso tudo sem ter conhecimento”, afirma a Dona Joana, como é conhecida a benzedeira. “Gosto muito do que faço e faço com amor, carinho e dedicação. Vale a pena o sacrifício. Esse é meu dom e é uma missão que Deus me confiou”, complementa.

No caso das benzedeiras do município de Rebouças, Agda Andrade Cavalheiro, de 70 anos, e Ana Maria dos Santos, de 49, a tradição foi passada de pai para filha. “Meu pai era homeopático e me ensinou algumas coisas. Desde pequena eu ajudava ele e fui aprendendo os remédios. É casca para uma coisa, folha para outra. Com 40 anos comecei a benzer”, conta Agda. “Eu tenho 6 irmãos, mas meu pai me escolheu para ser a herdeira dele porque eu tinha disposição, sempre acompanhava ele. Quando ele faleceu, fiquei no lugar dele”, relata Ana Maria.
Questionadas sobre quem seria o responsável pelas curas, as três benzedeiras foram unânimes na resposta. “É Deus quem cura. Nós somos apenas intermediárias”. Por isso mesmo, elas não podem cobrar pelos seus benzimentos. A tradição, inclusive, dita que a benzedeira que pedir dinheiro em troca perde o dom. Doações, no entanto, podem ser aceitas.
“Benzedor não pode cobrar, senão está cobrando em nome de Deus, até porque é ele quem cura. Só pedimos para levar a vela para o santo, porque tudo o que precisamos nós pedimos e Ele dá”, afirma Agda. “A pessoa dá o que ela quiser e puder (pelo atendimento). E tudo o que ganho divido com a pobreza e a Santa Casa de Deus”, completa dona Joana, que reparte as doações feitas “de coração” por aqueles a quem ela ajudou.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Gasolina voadora


O Tribunal de Contas do Paraná informa que abriu investigação para descobrir o destino de 1,6 milhão de litros de combustíveis que teriam sido utilizados por mais de 80 prefeituras e câmaras municipais sem que os veículos fossem movimentados. A conferir.
E aqui em Curitiba, como fica?

Sem painel


Terminou em confusão a instalação de um painel na Câmara dos Deputados para assinaturas dos parlamentares favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. A iniciativa do deputado federal paranaense Valdir Rossoni foi encampada pela bancada do PSDB e de outros partidos de oposição. Na hora da inauguração, no Salão Verde, houve tumulto e troca de ofensas entre parlamentares e funcionários de gabinetes do PT. Ao saber da confusão, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mandou retirar o painel.

Projeto de lei pode tornar todos os assentos dos ônibus em preferenciais


Todos os assentos em ônibus do transporte coletivo de Curitiba podem se tornar preferenciais a idosos, gestantes, pessoas com deficiência e com crianças de colo. Essa é a proposta do vereador Helio Wirbiski (PPS) protocolada na Câmara Municipal de Curitiba. A matéria (005.00216.2015) foi lida no pequeno expediente da sessão plenária de terça-feira (3).

Segundo o vereador, embora os veículos já possuam assentos preferenciais, o número de bancos não é suficiente para aqueles que tenham o direito ao uso. Além disso, Wirbiski menciona o uso dos assentos por pessoas que tenham condições de fazer o trajeto em pé. De acordo com autor, é preciso dar atenção às pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade, mesmo que por tempo determinado, como o caso das gestantes.

“Os idosos, por exemplo, estão mais propícios ao desequilíbrio, devido à fragilidade ocasionada pela idade, principalmente quando colocados em situação de risco, como freadas bruscas ou colisões, assim como as pessoas com deficiência e crianças”, comenta.

De acordo com o projeto de lei, deverão ser afixados, dentro do veículo, avisos sobre a preferência em todos os assentos do ônibus. “É de conhecimento da população que não são raros os casos em que jovens não cedem lugar para gestantes ou idosos por se acharem no direito a um assento por serem pagantes. Não se trata apenas de uma questão de direito, mas de respeito, de solidariedade ao outro que se encontra em desvantagem em relação aos que apresentam melhores condições físicas”, argumenta Wirbiski. Caso a proposta seja aprovada e sancionada pelo prefeito, as concessionárias do transporte coletivo terão o prazo de 60 dias para se adequar à lei.