Diretor da Eletrobras Valter Luiz teria negociado propina em 2014
Pessoa diz ter negociado propina com diretor Valter Luiz em 2014. Foto: Estadão Conteúdo
O diretor da Eletrobras Valter Luiz Cardeal teria
negociado propina em setembro do ano passado em contrato de R$ 2,9
bilhões do consórcio Una 3 - formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht,
Camargo Corrêa e UTC - para obras na Usina de Angra 3. A informação,
divulgada pela edição deste sábado da revista Veja, consta de delação
premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa.
Segundo Pessoa, a Eletrobras pediu um desconto de 10% ao consórcio,
que aceitou um abatimento de 6%. A diferença, diz o delator, teria ido
para a campanha da reeleição de Dilma Rousseff (PT). Cardeal teria
avisado os petistas sobre os 4 pontos porcentuais de diferença e o
ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato, teria
procurado Pessoa para exigir o pagamento.
A revista destaca que Cardeal é próximo de Dilma desde a década de
1990, quando ela era secretária de Energia do Rio Grande do Sul e ele
dirigia a companhia estadual de energia, a CEEE. Quando assumiu o
Ministério de Minas e Energia, Cardeal assumiu a presidência dos
conselhos de Furnas e da Eletronorte. O executivo chegou a ser
denunciado pelo Ministério Público por gestão fraudulenta e desvio de
recursos.
Segundo a publicação, Pessoa disse que também repassou R$ 3 milhões
do contrato de Angra 3 ao PMDB. A negociação teria passado pelo
presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e pelo senador Romero Jucá
(RR). A posição dos políticos e das empresas mencionados não foi
divulgada pela revista. (AE)