terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Câmara deverá ter 14 vereadores na oposição

Fernando Tupan
Chicarelli e Professor Galdino
Chicarelli e Professor Galdino receberão novos vereadores na oposição
Finalmente a Câmara Municipal de Curitiba deverá ter uma oposição grandiosa. Se em 2013 e 2014 a casa legislativa tinha apenas os vereadores Professor Galdino (PSDB) e Chicarelli (PSDC) no biênio 2015/2016  deverão engrossar o caldo outros parlamentares como: Beto Moraes (PSDB), Pastor Valdemir Soares (PRB), Zé Maria (SDD), Mauro Ignácio (PSB), Aldemir Manfron (PP), Chico do Uberaba (PMN), Colpani (PSB), Dirceu Moreira (PSL), Jairo Marcelino (PSD), Jorge Bernardi (PDT), Tito Zeglin (PDT) e Sabino Picollo (DEM).
Informações desencontradas na rádio corredor  do Palácio 29 de Março dão conta que todos os indicados desse grupo na prefeitura foram demitidos no dia 1 de janeiro e não serão reconduzidos. O Diário Oficial está sendo muito aguardado.
Com 14 na oposição e 24 na situação, Fruet poderá enfrentar problemas nos dias de votação em que a base não compareça em peso. O incrível é que 2 pedetistas, Zeglin e Bernardi, deverão fazer jogo duro contra a atual gestão mostrando aos curitibanos os contrastes internos da legenda.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Petrobras paga gás superfaturado da Bolívia. Em 2009, Alvaro Dias havia alertado

Petrobras paga gás superfaturado da Bolívia. Em 2009, Alvaro Dias havia alertado

O Ministério Público Federal pediu que o Tribunal de Contas da União amplie a investigação sobre a operação que levou a Petrobras a pagar milhões de dólares a mais à petrolífera boliviana YPFB, pela importação de gás da Bolívia para o Brasil. Em 2009, o senador Alvaro Dias apresentou 18 representações no Ministério Público Federal, pedindo investigações dos procuradores sobre uma série de irregularidades cometidas pela Petrobras nos mais diversos contratos. Uma das representações tratava justamente da questão dos negócios envolvendo a estatal brasileira e a YPFB boliviana.

Pra vaca não ir pro brejo

Dilma Rousseff: 'Do I look happy, Mr Obama?'
É como se a Dilma de agora não fosse uma herança da Dilma dos últimos quatro anos, ou seja, como se Dilma não tivesse nada a ver com os problemas que Dilma criou
Zuenir Ventura, O Globo

Já que foi a própria presidente que escolheu a imagem — talvez por identificação com o universo rural de sua afilhada de casamento Kátia Abreu — vamos continuar com ela. Como se recorda, a candidata Dilma assegurou que não mexeria nos direitos trabalhistas e, para não deixar dúvida, repetiu uma expressão popular que acabou invadindo de forma viral as redes sociais — “nem que a vaca tussa” — e com a hastag #em direito meu ninguém mexe.
Um sucesso, pelo menos até depois das eleições, quando um dos primeiros anúncios de controle de gastos para garantir o ajuste fiscal foi justamente restringir benefícios dos trabalhadores tais como seguro-desemprego e abono salarial.

A presidente teria resistido muito a essas medidas, mas não houve jeito. São tempos de vacas magras, poderá ter-lhe dito a equipe econômica, quem sabe. Ou, então, o mar não está pra peixe, como afirmaria o jovem ministro da Pesca, Helder Barbalho, um dos sapos que ela teve que engolir — sapo ou rã?
Por meio de artifícios semânticos no discurso de posse, a presidente procurou disfarçar as dificuldades que vai enfrentar no segundo mandato.
Em vez de detalhar o que pretende fazer para tentar a retomada do desenvolvimento econômico, por exemplo, repetiu a defesa da Petrobras, não para uma autocrítica de seu governo, mas para exaltar o seu combate à corrupção, atribuindo os escandalosos desvios praticados na estatal a “alguns servidores” e a “predadores internos e inimigos externos”.
É como se a Dilma de agora não fosse uma herança da Dilma dos últimos quatro anos, ou seja, como se Dilma não tivesse nada a ver com os problemas que Dilma criou.
“Mais do que ninguém, sei que o Brasil precisa voltar a crescer”, disse ainda a presidente reeleita. “Os primeiros passos desta caminhada passam por um ajuste das contas públicas, aumento na poupança interna, ampliação de investimento e elevação da produtividade da economia.”
Da mesma maneira que prometera manter todos os direitos trabalhistas e previdenciários, ela garante que fará a correção e os acertos “com o menor sacrifício possível para a população, em especial os mais necessitados”.
A presidente Dilma, como se viu, não conseguiu evitar que a vaca tossisse. Agora, terá que impedir que ela vá pro brejo.

Seis partidos contra a regulação da mídia



JornalBueiroPawelKuczynski
do Josias de Souza:
A aprovação de um projeto que institua algum tipo de regulação da imprensa será mais difícil do que o PT poderia supor. Menos de 48 horas depois de o ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) ter confirmado que o governo enviará ao Congresso uma proposta sobre o tema, quatro legendas prometeram votar contra: PMDB, PSDB, DEM e PTB, PPS e PSB.
Para desassossego do petismo, coube ao partido do vice-presidente Michel Temer puxar o coro dos contrários. Conforme noticiado aqui, o deputado Eduardo Cunha, líder da legenda e candidato à presidência da Câmara, trombeteou nas redes sociais: “Quero reafirmar que seremos radicalmente contrários a qualquer projeto que tente regular de qualquer forma a mídia.”

Gabrielli aponta o dedo para o Planalto


Editorial do Diário do Poder


O baiano José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras nos anos em que na estatal se instalou o maior esquema de corrupção de que se tem registro nos 514 anos da história do Brasil, jura de pés juntos que  é santo, inocente como a flor, e que desconhecia a roubalheira  desbragada  que corria solta a seu redor.

Seus orixás seriam  os do bem, nada parecido com um Oxóssi desviado,  cujo desígnio seria o de proteger os caçadores instalados pelo PT na empresa, os quais – como vem sendo levantado pela operação Lava Jato – se revelaram como um bando hienas famintas com as fuças  em gorda carniça.

Cabe à Justiça comprovar culpas ou inocências. Gabrielli pode mesmo ser inocente. Nesse caso,  comprovará sua  honestidade, mas passará à história apenas como o mais incompetente, incapaz  e omisso dirigente que já teve a estatal desde sua criação em 1953.

Se esse atestado de santidade for passado a Gabrielli pela Justiça,  as investigações devem buscar identificar os nomes que elevaram uma pessoa desprovida das qualificações necessárias a tão elevado posto de mando.  Não se  coloca, sem razão forte, uma pessoa despreparada para comandar uma empresa do porte da Petrobras.

Não se sabe se foi o ex-governador da Bahia,  Jaques Wagner, hoje todo poderoso Ministro da Defesa, quem instruiu seu ex-secretario de Planejamento (e ex-colega sindicalista) a botar a boca no trombone. Mas o fato é que mal largou o cargo, Gabrielli  (que disse contar com o apoio total do PT) voltou a deitar  falação da grossa contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro Guido Mantega, apontando-os como responsáveis por tentar jogar toda a responsabilidade dos escândalos (na Petrobras ) em sua gestão.

Ipsis literis, disse Gabrielli: “Não tem como estar jogando sobre nós, porque não há possibilidade. O conselho de administração da companhia era presidido pela presidente Dilma e foi presidido pelo ministro Guido Mântega. Como podem querer jogar sobre a Petrobras as responsabilidades? Não há possibilidade disso”.

A presidente Dilma,como se sabe,  presidiu o Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010, primeiro na condição de ministra de Minas e Energia e depois quando estava no comando da Casa Civil, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesses mesmos anos a estatal teve como presidente executivo o alegadamente inocente Gabrielli.

Mas a Presidente da República já negou repetidamente que tivesse tido conhecimento da ladroagem da Petrobras, antes que ela começasse a ser revelada, em 2014. Se assim for, e as duas partes estiverem dizendo a verdade,  estará o País diante de uma gravíssima revelação, a de que os dois ocupantes da cúpula de uma dasprincipais empresas petrolíferas do mundo seriam, confessadamente, incapazes, ineptos e omissos.

Mas que durante seus anos no Conselho de Administração da Petrobras a governança da Petrobras não era a melhor possível, admitiu a própria Presidente quando, em suas manifestações no dia de sua posse, observou que “a realidade atual só faz reforçar nossa determinação de implantar, na Petrobras, a mais eficiente e rigorosa estrutura de governança e controle que uma empresa já teve no Brasil”.

Segundo reportagem do O Globo, TCU apontou superfaturamento de 1.800% em obra de trecho entre Cacimbas (ES) e Catu (BA)


Petrobras criou empresa de fachada para construir gasoduto bilionário


Dilma Rousseff Lula foto-Ricardo Stuckert
O trecho do empreendimento foi inaugurado com pompa em 26 de março de 2010 pelo governo federal, com presenças VIP de Dilma Rousseff ao lado do então presidente Lula, o presidente da Petrobras na época, José Sérgio Gabrielli, e a então diretora de Gás e Energia da estatal, Graças Foster, atual presidente da empresa (Foto: Ricardo Stuckert)

A Petrobrás criou “empresas de papel” para construir e operar a rede de gasodutos Gasene, informa a edição deste domingo, 4, do jornal O Globo, com base em constatação da Agência Nacional de Petróleo (ANP) reproduzida numa auditoria sigilosa do Tribunal de Contas da União (TCU). Só no trecho entre Cacimbas (ES) e Catu (BA), o custo teria sido de R$ 3,78 bilhões, de acordo com o jornal.
O trecho foi inaugurado em 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por Dilma Rousseff, que era ministra-chefe da Casa Civil e deixou o cargo dias depois para concorrer à Presidência. A reportagem informa que o TCU apontou superfaturamento de 1.800% na obra.
Procurada por O Globo, a Petrobrás disse que “já apresentou esclarecimentos detalhados nos processos de auditoria do TCU no Gasene e aguarda sua manifestação”. Já a ANP informou que “só vai se pronunciar depois da publicação do acórdão do TCU”. (AE)

O contrato com a Eletronorte, que prevê repasses de R$ 37 milhões, foi assinado em fevereiro, com dispensa de licitação


Eletronorte pagou R$ 3 mi à Airship para fabricar dirigível


airship Foto Divulgação
Grupo Engevix, envolvido no Petrolão, recebeu da Eletronorte a missão de fazer o primeiro dirigível de carga a serviço do governo brasileiro (Foto: Divulgação)

Acusado de integrar o esquema de corrupção da Petrobras, o Grupo Engevix recebeu da Eletronorte a missão de fazer o primeiro dirigível de carga a serviço do governo brasileiro. A empreiteira é dona de 50% da Airship do Brasil, empresa que já obteve da estatal, após a Operação Lava Jato, R$ 3 milhões para entregar em 2016 um zepelim que servirá para construir, manter e inspecionar linhas de transmissão. Os outros 50% da empresa pertencem ao Transportes Bertolini Ltda.
O contrato com a Eletronorte, que prevê repasses de R$ 37 milhões, foi assinado em fevereiro, com dispensa de licitação, sob o argumento de que a Airship tem notório saber e é a única empresa no Brasil capaz de desenvolver um projeto assim. A fornecedora nunca fabricou um dirigível de carga nos moldes previstos, mas tem experiência na construção de balões-guindaste e aeróstatos (tipo de aeronave não tripulada, sustentada com gás mais leve que o ar).
O projeto envolve também a construção de uma fábrica em São Carlos (SP), já em curso, onde será feito o dirigível. Para isso, além da verba da estatal do setor elétrico, a empresa obteve financiamento de R$ 102,7 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição não informa quanto já repassou por meio do empréstimo.
Os R$ 3 milhões já pagos pela Eletronorte foram transferidos entre agosto e dezembro, a título de custear a compra de materiais e a realização de testes. A Eletronorte adianta que a Engevix continuará no projeto, apesar do escândalo de corrupção, pois nenhuma irregularidade foi detectada. Nos últimos anos, o presidente da Airship foi o vice-presidente da empreiteira, Gerson de Mello Almada, preso desde novembro, por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás.
“Se ela (a Engevix) tem alguma coisa fora do conceito ético, moral, não é no projeto da Airship. Posso garantir. Mostro a cara e mostro tudo”, afirma o diretor de Operação da Eletronorte, Wady Charone Júnior, que se intitula o pai da ideia do dirigível do setor elétrico.
Segundo o diretor, o projeto é auditado “com rigor” pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela própria Eletronorte. “Todos os contratos da Engevix estão sob suspeita. Até concordo com essa teoria. Mas, então, vá examinar tudinho”, acrescenta, dizendo que a estatal está aberta a quaisquer outras investigações.
A Airship foi fundada em 2005 numa parceria entre a Engevix e a Transportes Bertolini – grupo do setor de logística, que não está entre os investigados da Lava Jato. Dono da outra metade do capital, o sócio assumiu a presidência da empresa em novembro, dois dias antes de a Polícia Federal prender executivos envolvidos no esquema da Petrobrás.
Funcionário de carreira da Eletronorte, nomeado para o cargo na cota do PT, Charone diz que teve um “click” anos atrás, ao fazer um serviço em linhas de transmissão, e começou a pensar sobre o uso do zepelim. Sem “saber de nada” sobre essas aeronaves, pesquisou com especialistas e concluiu que a tecnologia era viável para o setor elétrico. Mais tarde, o projeto foi aprovado pela Eletrobrás, o que permitiu a celebração do Contrato.
A promessa é que o dirigível decole pela primeira vez em julho de 2016 e, a partir daí, passe a fazer consertos, inspeções e construções de redes. A ideia é diminuir os custos e dar agilidade aos serviços, além de evitar impacto ambiental. Para levar e trazer uma torre das que sustentam cabos de energia para o meio da floresta amazônica, é necessário hoje desmatar e abrir estradas, o que pode custar de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões.
“A ”sacada” é essa: quem trabalha de baixo para cima, vai trabalhar de cima para baixo. Muda a lógica”, resume Charone, dizendo que nenhuma outra empresa do mundo usa zepelins com essa finalidade.
As manutenções e inspeções da rede podem ser feitas com helicópteros, mas a operação seria mais cara. Além disso, eles teriam menos autonomia de voo. O novo dirigível voaria a até 120 km/h, com menor consumo de combustível e capacidade para carregar 30 toneladas.
O diretor diz que a Eletronorte sondou fabricantes em países como a Alemanha e os Estados Unidos, mas nenhum faz dirigíveis com essa capacidade de carga. Como o dirigível será construído com verba específica de um programa de pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico, a legislação que disciplina esses investimentos, segundo Charone, impõe a contratação de instituições e empresas brasileiras. “A Airship era a única que tinha a documentação necessária para fazer”, diz ele.
O jornal O Estado de S.Paulo procurou a Airship e enviou questionamentos por e-mail. A empresa não respondeu. Por meio de sua assessoria de imprensa, justificou que os funcionários que podem falar sobre o projeto estavam de recesso.
Em nota, o BNDES informou que “as liberações para o referido projeto estão sendo efetuadas com o rigor usual”. Segundo o banco, desembolsos de recursos estão condicionados à comprovação de que a parcela liberada anteriormente foi utilizada nas finalidades definidas no projeto. (Fábio Fabrini/AE)