segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O feitiço contra o feiticeiro



Do Ferreira Gullar:

Sinceramente, você acha que Lula contava com tamanho descontentamento popular, após dez anos de governo petista?
Acredito que não. Pelo menos, é o que poderia deduzir dos tantos discursos que fez, quando presidente da República, e que foram repetidos depois por sua substituta, Dilma Rousseff, pelos ministros de ambos os governos e pelos dirigentes petistas. O Brasil nunca antes, em tempo algum, foi tão feliz. Por isso mesmo, insistem em fazer de conta que o descontentamento, que se manifesta todos os dias nas ruas, não tem nada a ver com eles.
Mas tudo tem limite. Por isso mesmo, Lula, esperto como é, veio a público dizer que, quando líder sindical, nunca participou de vandalismos. É verdade. Mas o problema maior, para ele, não é o vandalismo, que todo mundo condena.
O que é mais preocupante, para o governo, nessas manifestações, pelo que reivindicam e pelo que denunciam, é a demonstração de que algo deu errado nos governos petistas, que vieram para contentar os trabalhadores e o povão.
Não resta dúvida de que Lula, ao ampliar o assistencialismo com o Bolsa Família, ao aumentar o salário mínimo e tomar medidas estimuladoras do consumo, possibilitou a ascensão de um amplo número de pessoas a condições de vida um pouco melhores.
Esse fato teve reflexo positivo na vida econômica –mas no quadro social do país, como advertiram os economistas, tratava-se de uma melhoria momentânea, incapaz de ampliar-se e mesmo sustentar-se por muito tempo. É que os investimentos imprescindíveis em setores estruturais, de que depende o crescimento econômico efetivo, não foram feitos, certamente porque não trariam consigo o mesmo apelo eleitoral. Essa é uma característica do populismo, coisa antiga no Brasil.
A preocupação em conquistar o eleitor –e especialmente o eleitor mais carente e menos informado dos problemas do país– foi desde o início a marca do governo petista. E não por acaso. Todos se lembram da declaração de José Dirceu, dada naquela época, garantindo que o PT ficaria no governo por 20 anos, pelo menos.
Dez anos, ele já ficou; quanto aos outros dez, pelo que se vê agora, restam sérias dúvidas. Mas, por isso mesmo, a preocupação essencial do governo Dilma é a mesma que a do governo Lula, mas com algumas concessões que foi obrigada a fazer, como privatizar aeroportos e, agora, permitir a participação de empresas privadas estrangeiras no leilão do campo de Libra.
Por suas raízes ideológicas, o PT nasceu sonhando com uma revolução do tipo cubana no Brasil e, consequentemente, contra o capitalismo. Foi difícil manter-se nessa posição, com as mudanças ocorridas no mundo, após queda do Muro de Berlim.
O radicalismo petista –que o levara a negar-se a assinar esta nova Constituição que está em vigor– amainou-se após as sucessivas derrotas de Lula como candidato à Presidência da República. Ele obrigou o partido a recuar e passar a falar mais manso. Graças a isso, foi eleito e passou a viver um dilema: se se mantivesse esquerdista, não governaria. De qualquer modo, abraçava Bush e fazia questão de mostrar que sua verdadeira simpatia para Ahmadinejad.
Aqui dentro, a coisa era mais complicada: como privatizar os aeroportos se sempre condenara as privatizações? Mas tinha de fazê-lo e passou, então, a chamar as privatizações de “concessões” e pôr nelas exigências que as inviabilizavam. Agora, teve que recuar. Por outro lado, restava-lhe o caminho ambíguo do populismo chavista. E assim ampliou em vários milhões os beneficiados pelo Bolsa Família e financiou o consumismo das faixas mais pobres.
Sucede que, no Brasil, há muito mais necessitados do que Lula pensava e todos passaram a querer também bolsa, casa, geladeira, fogão, televisão de graça. Por outro lado, a economia exige que o Estado se abra à iniciativa privada. Ou faz isso, ou o país para de crescer. Aliás, já há quem preveja, para breve, crescimento zero.
Assim, Dilma abriu o leilão de Libra a empresas estrangeiras, o que foi certo, mas os operários do petróleo não pensam assim; pensam como Lula lhes ensinou: privatizar a exploração do petróleo é trair a pátria. Com essa ele não contava.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mais Médicos tem 48 profissionais reprovados em exame do governo


 
FLÁVIA FOREQUE
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA
Um grupo de 48 profissionais que já atua no Mais Médicos foi reprovado no Revalida, exame federal para reconhecer o diploma de medicina obtido no exterior.
Eles estão entre os 681 selecionados para a primeira rodada do programa, criado pelo governo federal para enviar médicos para atuar na atenção básica prioritariamente no interior do país.
No total, 1.440 candidatos formados no exterior não passaram para a segunda fase do Revalida. Desses, apenas os 48 que fazem parte do Mais Médicos poderão exercer a medicina, já que o programa não exige o reconhecimento do diploma de fora do Brasil.
Essa é a principal polêmica envolvendo o programa.
Os reprovados podem também exercer a profissão caso consigam validar o diploma em universidade com processo próprio de revalidação.

Vereadores defendem calçadão na Praça Espanha

 por Fernando Tupan

Julieta Reis
Os vereadores Tiago Gevert (PSC) e Julieta Reis (DEM) defendem a criação de um calçadão, na 1ª quadra da Fernando Simas, que inicia na Praça da Espanha, nos finais de semana. Os parlamentares defendem a ideia porque nos finais de semana circulam na região aproximadamente 10 mil pessoas e as calçadas foram tomadas por mesas de bares que tomaram conta do lado esquerdo da rua. A posição procura atender a classe que deseja transformar o local em uma nova Montparnasse, região boêmia de Paris e que circulavam escritores franceses, como Jean Paul Sartre.

Policiais saem de mãos vazias da casa de Derosso


 por Fernando Tupan

Policiais saem de mãos vazias da casa de DerossoJoão Cláudio Derosso
A casa do ex-presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso, foi vistoriada por policiais do Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurse) no dia de ontem a procura de documentos que apurassem possíveis irregularidades na licitação de agências de publicidade no ano de 2006. Mas após vasculharem a casa do ex-parlamentar, nada foi encontrado. Derosso, enquanto foi presidente da casa legislativa, nunca se recusou a responder os pedidos formulados pelo Ministério Público (MP).

Verdade seja dita: o que a grande mídia falou na televisão, rádio e nos jornais, foi uma grande armação contra o Derosso. Nada foi encontrado na casa de meus pais. Disseram que os policiais levaram documentos, equipamentos e armas, mas nada disso foi levado. Disseram que o apartamento, onde Derosso residiu na Desembargador Motta, não foi aberto para os policiais. Mentira. Eles foram até lá, entraram e não acharam nada. Disseram que os policiais foram até a casa da irmã de Derosso, no São Lourenço e que, uma mulher, supostamente a irmã, apareceu escoltada por policiais. Quem é essa irmã? Disseram que as casas da família de Derosso foram vasculhadas. Que casas? Disseram que da casa do Xaxim foram detidos pessoas por portarem armas de fogo. Que armas e que pessoas? Tem muito angú neste carroço.

Ataque preconceituoso de Taques revolta a PF

Claudio Humberto

Durante uma palestra, gravada em vídeo, o senador e ex-procurador Pedro Taques (PDT-MT) disse que “a Constituição determina que todo o poder emana do povo. Se fosse de Deus, seria uma teocracia, e não uma democracia. Se emanasse dos delegados da Polícia Federal, seria uma merda.” A afirmação, preconceituosa, foi considerada descabida: os delegados da PF têm a mesma formação jurídica dos procuradores.

Compensa ser criminoso e vir para o Brasil

Maurício Terra Dias
  

É fato que Cesare Battisti cometeu crimes de sangue na Europa, crimes pelos quais foi condenado em todas as instâncias às quais conseguiu recorrer, sendo que há ao menos um crime com vítima viva, capaz de testemunhar novamente, caso haja alguma chance de revisão dos julgamentos. Há pessoas que compreendem que ele não traz mais nenhum perigo à sociedade, especialmente no Brasil onde não há mias luta armada entre revolucionários e ditadura. Isto seria, conforme essas pessoas, motivo para manter o criminoso solto, à vontade para usufruir das benesses da sua condição de asilado político, obtida através de parecer absolutamente suspeito da AGU, exarado pelo então Advogado Geral da União Dr. Luís Inácio Adams, quanto de atitude decisivamente pusilânime do nosso STF, que empurrou para o então presidente Lula a opção de atender à solicitação de extradição expedida pelo governo italiano ou ignorar o tratado que prevê a extradição para atender à súplicas dos amigos do criminoso aqui no Brasil.
Lamentavelmente, o ex-presidente decidiu por acoitar mais um bandido sob as asas do seu governo, aumentando a fama brasileira de paraíso dos criminosos, que sempre encontram aqui um povo amigo e acolhedor, capaz de esquecer qualquer pecado, recente ou antigo.
Os crimes cometidos pelo italiano na Itália são da conta dele com o governo daquele país. Não cabe a nós julgar a justeza das penas às quais ele foi submetido, nem os métodos aplicados pela Justiça italiana para avaliar o caso. Cabe-nos cumprir o que determina o tratado assinado entre os países, o que o ex-presidente cansou de demonstrar que nem sabe do que se trata. Toda a política internacional traçada por seu governo foi pontuada por atitudes que demonstram que o governo trata a diplomacia como um instrumento de governo, e não como mecanismo de convivência entre Estados.
O fato é que o italiano entrou no país com documentos falsos, e permaneceu aqui com eles, o que constitui crime pelo qual ele até agora não foi incomodado pela polícia. Não é sabido também se ele informou, quando da sua entrada, que há condenação criminal contra ele no país de origem.  Se qualquer cidadão brasileiro transitar em território nacional portando documento falso e for pego, passará uma temporada explicando aos companheiros de cela como é que foi parar na cadeia. Aparentemente, o terrorista, com alguns crimes de sangue no currículo, encontrou algum tipo de imunidade à legislação brasileira que lhe permite não responder pelo que faz. Quais serão as outras imunidades que seu advogado caríssimo lhe garantiu?

Jorge Viana quer endurecer pena para menor infrator

Jorge Viana apresenta projeto mudando lei para oito anos de internação
Senador Jorge Viana (PT-AC) relata sua participação na Mesa-Redonda “Rio+20: os Novos Desafios do Desenvolvimento Sustentável”
Senador Jorge Viana

O senador Jorge Viana (PT-AC) quer estender para oito anos o tempo de internação de menores infratores em crimes hediondos. O projeto que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi anunciado a pouco no plenário da Casa. Atualmente, a internação máxima é de três anos para qualquer tipo de infração.
“Ao atingir 18 anos, deve ser transferido para um estabelecimento específico, e não para o sistema prisional convencional, de modo a segregá-lo dos menores que realmente estão em pleno desenvolvimento psicológico e social. Quando atingir 26 anos, a liberdade será obrigatória, haja vista que o prazo máximo da internação é de oito anos”, defendeu.
Viana se diz assustado com os altos índices de criminalidade cometidos pelos adolescentes nos últimos anos. Ele citou coo referência o boom no aumento de 80% em São Paulo em 12 anos.