segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Cascateiros

O governo Dilma teme efeito-cascata na delação de executivos conectados à Petrobras e ao doleiro Alberto Youssef, paralisando obras importantes, fechando subcontratadas e demitindo em massa.

Vaccari avisa aos mais chegados que vai ser preso

  • Tesoureiro do PT no escândalo do Petrolão do governo Dilma, assim como Delúbio Soares desempenhou o mesmo papel no Mensalão do governo Lula, João Vaccari Neto conhece profundamente a extensão de mais esse escândalo de corrupção na era petista. Talvez isso explique sua iniciativa de prevenir a família e amigos mais chegados que terá a mesma sorte de Delúbio: ele acha que acabará na prisão.
  • Segundo denúncias na Operação Lava Jato, Vaccari seria o principal interlocutor do PT e dos governos Dilma e Lula no esquema corrupto.
  • Vaccari é acusado de criar empresa-fantasma para ocultar operações que lhe renderam grandes quantias, por meio de negócios simulados.
  • A Polícia Federal estima que o esquema envolvendo o doleiro Alberto Youssef, parceiro de Vaccari, “lavou” R$ 10 bilhões surrupiados.
  • João Vaccari é velho conhecido do Ministério Público, que o acusa de maracutaias na Bancoop, cooperativa de bancários de São Paulo.

Asas da encrenca

josedirceu2
Do Lauro Jardim:

A delação premiada de Júlio Camargo, o executivo da empreiteira japonesa Toyo Setal que já topou devolver 40 milhões de reais aos cofres públicos, está deixando José Dirceu de cabelo (implantado) em pé.
Depois que deixou o governo Lula, em 2005, Dirceu pegou emprestado várias vezes o jato Citation de Camargo para cruzar o Brasil.

Atos em São Paulo, Curitiba e Brasília pedem impeachment de Dilma


EFE/Aaron Cadena Ovalle
Ato_em_SP EFE Aaron Cadena Ovalle
Da Gazeta do Povo:

“Boa tarde, reaças”, cumprimentou ao microfone cerca de mil pessoas em São Paulo – segundo estimativa da Polícia Militar – o empresário e jornalista Paulo Martins, que foi candidato a deputado federal pelo PSC neste ano no Paraná. “É inegável que o PT constrói uma ditadura no país”, acrescentou, sob fortes aplausos.
O discurso, realizado em cima de um carro de som, foi feito em manifestação a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), convocado pelas redes sociais para este sábado (1º) e promovido na avenida Paulista.

Com uma bandeira do Brasil sobre os ombros, o cantor Lobão defendeu a recontagem dos votos das eleições presidenciais e negou que o movimento tenha como propósito dar um novo golpe militar no país. “Não tem ninguém aqui golpista”, disse ao microfone.
A caminhada é marcada também por provocações entre simpatizantes da esquerda e da direita. Na avenida Paulista, alguns moradores de prédios da região estenderam nas janelas camisetas vermelhas e bandeira da campanha à reeleição da presidente.
“Vai para Cuba”, gritaram os manifestantes em resposta. Eles fecharam uma das faixas da avenida.
No evento, além de pedirem a saída da petista, os manifestantes defenderam um novo golpe militar no país.
“É necessário a volta do militarismo. O que vocês chamam de democracia é esse governo que está aí?”, criticou o investigador de polícia Sérgio Salgi, 46, que carregava cartaz com o pedido “SOS Forças Armadas”.
O número de manifestantes no evento é bem menor do que o total de confirmações nas redes sociais, que chegaram a 100 mil. A caminhada teve início em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo).
Com cartazes e faixas, os indignados acusaram o resultado das eleições deste ano de ser a “maior fraude da história” e o PT de ser “o câncer do Brasil”. “Pé na bunda dela [presidente], o Brasil não é a Venezuela”, gritaram.
“O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, José Dias Toffoli, é um estagiário do PT”, acusou Paulo Martins.
Sob aplausos, o deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), foi apresentado ao microfone como “alguém de uma família que vem lutando muito pelo Brasil”.
Em discurso, o parlamentar disse que se seu pai fosse candidato a presidente, ele teria “fuzilado” a presidente. Segundo ele, Jair Bolsonaro será candidato em 2018 “mesmo que tenha de mudar de partido”.
“Eu voto no Marcola, mas não voto na Dilma, porque pelo menos o Marcola tem palavra”, disse, em referência a Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos chefes da facção criminosa PCC.
A manifestação é acompanhada pela Polícia Militar e pela chamada “Tropa do Braço”, escalada para eventos de rua.
Por volta das 16h, os manifestantes deixaram a avenida Paulista e tomaram a avenida Brigadeiro Luís Antônio, caminhando em direção ao parque Ibirapuera.
Entre as bandeiras carregadas no protesto, estão a do Brasil, a do Estado de São Paulo e da campanha do candidato derrotado do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

Combate à corrupção? Dilma adia

corrupcao_1_1
Para quem insiste no chavão gasto de que combaterá a corrupção “doa a quem doer”, editar uma MP para adiar a vigência de uma lei moralizadora não é um bom remédio.

Mary Zaidan

Quatro dias depois de ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff adiou por seis meses a entrada em vigor da lei das ONGs, que estabelece regras mais rígidas para a contratação de entidades sem fins lucrativos. Fora o absurdo de sustar a vigência de uma lei aprovada pelo Congresso com uma Medida Provisória, que constitucionalmente só poderia ser editada em casos de relevância e urgência, o ato é mais uma demonstração da distância abissal entre as palavras da presidente e suas ações. Incluso aí o combate à corrupção.

Estudo realizado pelo Ipea revela que, entre 2003 e 2011, a União repassou quase R$ 30 bilhões a 10 mil entidades sem fins lucrativos, 15% do total das transferências feitas no período. Atualmente, 3.500 contratos estão em execução, sendo que só neste ano o desembolso já bate em R$ 900 milhões.
O volume de recursos associado a leis frouxas estimula a corrupção e denigre a imagem das ONGs sérias.
A fartura é tanta que a ONG Articulação Semiárido Brasileiro custeou a ida de 99 ônibus para um comício de Dilma em Petrolina (PE). Favor barato para quem recebeu repasses de R$ 587,3 milhões em quatro anos, R$ 172,8 milhões em 2014.
As relações entre o governo e as ONGs são uma caixa preta. Foram alvo de CPI inconclusa em 2009 e de dezenas de denúncias de corrupção. Também foram falcatruas envolvendo ONGs que deceparam as cabeças dos ministros Carlos Lupi (Trabalho), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte), no primeiro ano de Dilma, quando foi aconselhada a se travestir de faxineira.
Nesse mesmo ano, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) propôs as regras que, transformadas em lei no Parlamento, ganharam o pomposo nome de Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.
Para sancioná-lo, os marqueteiros de Dilma escolheram o mês de julho, época em que as pesquisas apontavam queda acentuada na aprovação da presidente e enterravam o sonho de resolver a parada no primeiro turno da disputa.
Armou-se a festa no Planalto para o governo e o PT se apropriarem da lei.
A presidente apresentou-a como resultado de intensa negociação com organizações sociais – uma forma de inibir “malfeitos” em um governo que “não tolera” corrupção.
Com a marca registrada da desfaçatez, três dias antes, em um evento de campanha na Baixada Fluminense, Dilma já havia reabilitado seu ex-ministro: “O Lupi é uma pessoa muito especial. Ele é um coração bom, um homem de bem”.
Para quem insiste no chavão gasto de que combaterá a corrupção “doa a quem doer”, editar uma MP para adiar a vigência de uma lei moralizadora não é um bom remédio. É mais do mesmo: fingir que faz e vai fazer o que não quer e não fará.

Farsa e preconceito


Nunca o PT e a Arena se pareceram tanto. Principalmente no jeito de fazer política. Filhote da ditadura, como diria Brizola, Collor acusou Lula, nas eleições de 1989, de tramar contra a caderneta de poupança. Eleito, confiscou o investimento de milhões de brasileiros. Agora é Dilma quem repete a farsa do bom companheiro. Menos de uma semana após a reeleição, ela começou a pôr em prática todas as medidas impopulares que atribuía ao adversário tucano caso fosse derrotada nas urnas: aumento dos juros, da conta de luz, do preço da gasolina, cortes no Orçamento…
Para completar, a presidente anda atrás de um banqueiro ou de alguém de confiança da banca (cadê Palocci?) para assumir o Banco Central ou o Ministério da Fazenda. Quem não se lembra da petista atacando Marina com a propaganda terrorista de que faltaria comida na mesa dos pobres caso a ex-senadora vencesse a eleição, porque um banqueiro seria nomeado presidente do Banco Central? Agora, noticia-se, Dilma procura desesperadamente um nome de respeito no tal “mercado” — de preferência um banqueiro — para chefiar o BC ou o ministério da Fazenda. Pois é.
Esquerda? Só da boca pra fora. Na prática, e nas práticas (taí o escândalo de corrupção na Petrobras), o PT é hoje uma espécie de Arena moderna. Aliou-se a Collor, Sarney, Renan, Jader, Maluf e, com a ampliação de programas sociais, principalmente no Nordeste, região sempre maltratada pela direita, tirou o cabresto das mãos dos feitores e o assumiu com igual desfaçatez. Nada de iniciar o processo de emancipação à cidadania plena, com educação de boa qualidade, pois o partido tem consciência de que o ensino liberta de verdade. Aliás, só a educação de fato liberta. O resto é clientelismo barato travestido de combate às desigualdades sociais.
Quanto ao ódio aos nordestinos, nunca vi atitude tão imbecil, preconceituosa e desinformada. É fato que o voto petista tem relação direta e proporcional com a bolsa família. Lá e em todo o Brasil. Basta cruzar os dados. Nessa equação, o nordestino não é culpado. Ele é refém do coronelismo estrelado, assim como foi dos neojagunços da ditadura. Ora, como esquecer que Dilma venceu em Minas e no “avançado” Rio? Que teve cerca de 20 milhões de votos tanto no Nordeste quanto no Sudeste? E preparem-se, pois vai continuar assim enquanto muita gente só se lembrar da região na hora de eleição e de tirar férias.

Do Correio Braziliense

TSE vai investigar denúncias de fraude nas eleições presidenciais



O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai começar a próxima semana com a tarefa de analisar o pedido de auditoria sobre as eleições feito pelo PSDB. O presidente da Corte, ministro José Dias Toffoli, pode tomar a decisão sozinho (monocraticamente) ou deixá-la a cargo do plenário. Embora destaque em que a Corte “garantiu a segurança do processo eleitoral”, os tucanos alegam que os eleitores não estão “tranquilos” com a “não intervenção de terceiros nos sistemas informatizados”.
O pedido do PSDB não se refere a nenhum caso específico de suposta fraude. De acordo com nota do partido, a necessidade de auditoria especial baseia-se em “denúncias sobre fatos ocorridos durante a votação, principalmente com relação à própria totalização dos votos”. Especialistas criticam a representação da legenda, que saiu derrotada na disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização.
Depois das eleições, circularam mensagens nas redes sociais apontando supostas fraudes no processo eleitoral, como urnas que não aceitavam o número do PSDB. A nota é assinada pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha de Aécio Neves à Presidência. Ele diz que ligou para Aécio antes de fazer a representação e o tucano disse que, se era uma decisão da equipe jurídica, concordava com o pedido.
“Não estamos questionando o resultado das eleições ou pedindo uma recontagem. Só queremos que o TSE faça a auditoria para que essas denúncias de fraude não sejam alimentadas. Para evitar que milhares de brasileiros continuem a colocar em xeque a postura do TSE. Essa insegurança não é boa para a democracia”, diz Carlos Sampaio. Ele alega que, se o PSDB estivesse apontando fraude, teria pedido a impugnação das eleições 48 horas depois do pleito.
O corregedor-geral eleitoral, João Otávio de Noronha, diz que o pedido do PSDB “coloca em xeque todo o processo eleitoral”. “Perde a eleição e depois vem questionar o resultado, e com base em redes sociais. Ele (Carlos Sampaio) não pode fazer isso. Não apontou nenhuma irregularidade. O que ele questiona, o TSE já tem pronto. Acho esse tipo de procedimento perigoso, mexe com o processo democrático do país.”
Na nota sobre o pedido, o partido diz que a auditoria seria feita “por meio de uma comissão formada por pessoas indicadas pelos partidos políticos, objetivando a fiscalização dos sistemas de todo o processo eleitoral, iniciando-se com a captação do sufrágio, até a conclusão da totalização dos votos”.

Risco reduzido
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso diz que o pedido do PSDB é “salutar”, mas “inócuo”. “É salutar que o partido político queira auditoria nas urnas eletrônicas. Mas resultará inócuo. Porque as urnas eletrônicas, o sistema de captação de votos, é muito seguro. Há mecanismos de segurança. Não existe possibilidade de haver fraude. Não há possibilidade de totalização dos votos diferente”, afirmou.
Velloso diz ainda que o próprio partido pode conferir o resultado. “Além disso, encerrada a eleição, o presidente da mesa apura as urnas na presença de fiscais do partido. E emite boletim de urna, afixa uma via na porta, entrega outra via ao comitê interpartidário e seguem três outras vias para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ou seja, o próprio partido pode somar as vias recebidas e chegar ao resultado.”

Do Estado de Minas