sexta-feira, 3 de maio de 2013

Igreja evangélica quer Lula como lobista na África



Pastor Valdemiro Santiago, a procura de uma ajuda lá de cima (Foto: Divulgação)
Pastor Valdemiro Santiago, a procura de uma ajuda lá de cima (Foto: Divulgação)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

 LOBISTA DOS EVANGÉLICOS
Não são apenas as grandes empreiteiras brasileiras que pedem ajuda ao ex-presidente Lula para seus negócios no exterior.
O pastor Valdemiro Santiago, líder e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, tem procurado dirigentes do PT e ministros do governo anterior para solicitar uma audiência com Lula.
Ele quer auxílio para derrubar a proibição da atuação de sua igreja em países africanos, entre eles Angola e Moçambique.
Em troca, oferece até o apoio eleitoral a Dilma Rousseff – que não tem grande simpatia dos maiores líderes evangélicos.
Lula, que ainda não respondeu ao pedido de Valdemiro, tem viagem prevista para a África no fim de junho

Os manuscritos de Getúlio e o prefácio que Lula não escreveu

Direto ao Ponto

Augusto Nunes

Nunca antes neste país houve um presidente que incapaz de ler sequer orelhas de livro e de escrever pelo menos anotações em agendas. Lula foi o primeiro. Com tempo de sobra desde 1980, não estudou porque não quis. Jamais escondeu a aversão a leituras ─ ou porque dão azia, no caso dos jornais, ou porque são mais estafantes que exercício em esteira, se o texto passa de 10 centímetros. Ninguém jamais o viu empunhando uma caneta nem dedilhando um teclado de computador para produzir meia dúzia de linhas sobre o que quer que seja.
Há sete anos e meio em Brasília, ele não sabe se existe alguma estante na Granja do Torto, nem procurou saber onde fica a biblioteca do Palácio da Alvorada.  E sua letra foi vislumbrada pela primeira vez em 1982, zanzando sem bússola num recado tatibitate ao sobrinho que fazia aniversário. De lá para cá, não rabiscou lembretes em folhas de papel, nada registrou em algum diário, não mandou cartas, e-mails, nem mesmo bilhetes ordenando a Gilberto Carvalho que o acordasse mais tarde. Não escreveu coisa alguma.
Começou agora, anunciou o senador Aloízio Mercadante em 13 de Junho do Ano de Graça de 2010: “Entreguei um exemplar do meu novo livro ‘Brasil, a construção retomada’ ao presidente Lula, que fez o prefácio”, garantiu a mensagem transmitida pelo twitter do Herói da Rendição. A notícia embutia uma segunda descoberta igualmente assombrosa: como ninguém escreve o prefácio sem ter lido o livro, Lula ─ entre um derrapagem no Oriente Médio e um fiasco no Irã ─  encontrara tempo para ler, com a atenção exigida de um prefaciador, outro filhote do prolífico Mercadante.
Desde novembro passado, os interessados na compreensão da saga republicana aguardam, justificadamente ansiosos, a  divulgação de quase 700 bilhetes enviados por Getúlio Vargas a Lourival Fontes, chefe da Casa Civil do governo constitucional. Redigidos entre o começo de 1951 e agosto de 1954, deverão chegar às livrarias junto com o catatau do senador. Os manuscritos de Vargas podem jogar mais luz sobre uma tragédia. O prefácio pode ser jogado no lixo: é só outra farsa. Claro que Lula apenas garatujou a assinatura no palavrório que alguém escreveu.
Por ação ou omissão, os intelectuais companheiros se tornaram cúmplices da celebração da ignorância. O que houve com os brasileiros que estudaram ou estudam para engolirem sem engasgos alguém incapaz de desenhar um O com o fundo da garrafa?, pergunta a gente sensata. O que faz um país promover a inimputável um chefe de governo incapaz de produzir um único registro escrito sobre os anos vividos no coração no poder? Conversa de elitista, recita o ensaísta Antônio Cândido, que não fez outra coisa na vida além de lidar com palavras. Quem tem popularidade não precisa saber nada, ensinam cronistas federais e humoristas amestrados.
“Acho que os historiadores do futuro terão dificuldade em entender o contraste entre essa quase unânime reprovação do Lula pela grande imprensa e sua também descomunal aprovação popular”, escreveu Luis Fernando Verissimo. “O que vai se desgastar com isto é a ideia da grande imprensa como formadora de opinião”. É muito cinismo, estariam berrando os intelectuais independentes e os estudantes livres de cabrestos ideológicos ─ se ambas as espécies não estivessem em extinção no país cada vez mais parecido com um grande Clube dos Cafajestes. O que os historiadores do futuro custarão a entender é a vassalagem prestada por escritores estatizados ao chefe que encarna a Era da Mediocridade.
A julgar pela comédia ensaiada por Mercadante, o rebanho agora quer promover o pastor a homem de algumas letras. É tarde. O espaço reservado a Lula no Museu da República não terá nenhuma gaveta ocupada por cartas, diários, anotações, rascunhos, recados, mensagens, canetas, lápis, boletins escolares, composições à vista de uma gravura ─ nada. Se algum curador oportunista fizer de conta que prova de fraude é documento histórico, e expuser à visitação pública as páginas que abrem o livro de Mercadante, tomara que não fiquem ao lado dos bilhetes de Getúlio.
Os manuscritos permitirão que se contemple com mais nitidez o ocaso perturbador de um presidente que saiu da vida para entrar na História. O prefácio que Lula não escreveu desnuda a cabeça primitiva de um oportunista que caiu na vida sem entrar na História.

Proposta aumenta pena mínima para traficantes

Marcelo Camargo/ ABr / Apenas servidores da saúde e da assistência social poderão promover internações involuntárias Apenas servidores da saúde e da assistência social poderão promover internações involuntárias dependência química


Governo fecha acordo sobre pontos polêmicos que modificam a Lei Antidrogas. Projeto deve ir à votação na semana que vem

Raphael Marchiori, com Agência O Globo
O governo federal vai formalizar hoje um projeto que amplia a pena mínima a traficantes de drogas ligados a grupos criminosos. O texto vai ao encontro do projeto de lei 7.633/2010, do deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS), que trata ainda de internações involuntárias de usuários de drogas e do financiamento de comunidades terapêuticas mantidas por grupos religiosos.
Segundo Terra, o projeto foi discutido com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na terça-feira, e com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e secretários dos ministérios da Justiça e da Saúde, na semana passada. “O governo mudou sua posição da área técnica e a ministra [Gleisi]

Apesar de ainda não ser ponto consensual, o aumento da pena mínima para traficantes, que hoje é de cinco anos, foi discutido nas duas reuniões. A proposta é ampliá-la para oito anos. A punição seria aplicada a qualquer traficante, mas deverá ser atenuada. “Seria correto elevar a pena de traficantes que fazem parte de organizações criminosas. Assim, satisfaz o ministério“, disse Cardozo.
Terra, porém, discorda dessa proposta. “Não está tipificado no Código Penal o que é uma organização criminosa, por isso esse tipo de medida pode ser inócua. O pequeno traficante é tão perigoso quanto o grande. Ele, para se sustentar, vicia 20, 30 crianças em um ano”, argumenta.
Outros pontos polêmicos já foram fechados com o governo, por meio da Casa Civil. “Ela [Gleisi] disse que o governo é a favor da internação involuntária e das comunidades terapêuticas.” O governo concordou, por exemplo, com a previsão legal das internações involuntárias e sugeriu inicialmente um prazo máximo de 60 dias. Mas, por acordo, deverá ficar em 90 dias, e não em 180 dias, como previsto inicialmente. Além disso, apenas servidores públicos da saúde e da assistência social poderão intermediar essas internações, impedindo que policiais – sozinhos – removam dependentes de crack das ruas.
O campo de atuação das comunidades terapêuticas, que passarão a receber financiamento do Fundo Nacional Antidrogas (Funad), também foi objeto de intervenção do governo. Essas unidades só poderão receber internações voluntárias e não deverão ofertar tratamento de saúde, mas apenas acolhimento de dependentes. O Sistema Único de Saúde (SUS) entraria apenas nos casos de internações involuntárias em hospitais e clínicas especializada.

Deputado apresenta nova 'Ficha Limpa'

Claudio Humberto

Foto
DEP. DR. GRILO
O deputado Dr. Grilo (PSL) apresentou no Congresso Nacional uma nova versão para a Lei da Ficha Limpa. A ideia agora é tornar inelegíveis os dependentes e usuários de drogas. Para ele, manter quem faz uso do hábito nos parlamentos e poderes Executivos abre portas para traficantes na política nacional. “Imagine-se um traficante assediando (…) governantes, por ser ele um usuário de drogas. Seria praticamente impossível resistir e, por meio do sequestro da capacidade de livre manifestação da vontade do usuário, o império criminoso das drogas tem condição real e concreta de prevalecer e tomar de assalto os destinos de nossos governos, tornando toda a nação”, justificou

NÃO HÁ PRESSA MAS TEM QUE HAVER URGÊNCIA


Por Carlos Chagas


                                               Encerrou-se ontem o prazo para os 25 réus do mensalão apresentarem seus embargos às condenações já impostas pelo Supremo Tribunal Federal. Nenhum deixou, através de seus advogados, de tentar reduzir penas e multas. Marcos Valério, condenado a 40 anos, pediu outro julgamento.
                                               O Estado de Direito garante a defesa de todos os acusados, durante e até  depois do processo a que respondem. Enquanto  a sentença não  transitar em julgado, ou seja, esgotados todos os recursos para modificá-la, caso não constitua perigo para a vida em sociedade,  o réu fica em liberdade. Em se tratando dos mensaleiros, apesar do horror que praticaram, é natural que permaneçam em suas casas, mesmo tendo o Supremo Tribunal Federal recolhido seus passaportes para tentar evitar fugas para o exterior. Tentar, é claro, porque escafeder-se com papéis falsos através de nossas monumentais fronteiras torna-se rotina para qualquer um.
                                               Não há pressa no julgamento dos embargos, disse ontem o ministro Ricardo Lewandowski,  vice-presidente em exercício da mais alta corte nacional de justiça, na ausência do presidente Joaquim Barbosa, em viagem pelo Caribe.
                                               Pressa não pode haver, mas urgência é o que o país inteiro reclama. Há anos que se arrasta o julgamento dos participantes de um dos maiores escândalos de nossa história. Depois de definidas as condenações, tornou-se difícil para a torcida do Flamengo entender porque não haviam os condenados  sido recolhidos à prisão. Coisas da democracia e do Bom Direito, diga-se, mas tudo tem um limite. Caso venham a decorrer meses no exame dos embargos, ganhará as ruas a  certeza do mote popular de que, no Brasil, cadeia vale apenas para ladrões de galinha.
                                            A pergunta que se faz  é se o Supremo reafirmará as sentenças, mesmo  com algumas alterações, ou se reverterá o sentido do julgamento exarado. São dez os ministros, já que a presidente Dilma hesita em indicar o décimo-primeiro, sabe-se lá se por falta de encontrar personagens  de reputação ilibada e alto saber jurídico ou por estratégia destinada a ajudar companheiros condenados. Porque dez votos, ao menos na teoria, podem resultar em empate de cinco a cinco. Nessa hipótese, beneficiando o réu.
                                               Há que aguardar o trabalho dos Meretíssimos, previsto para se iniciar na segunda quinzena deste mês. Caberá ao  maestro da orquestra, Joaquim Barbosa,  dar  o tom da sinfonia. “Alegro, ma non tropo”, seria o ideal, já que a “Cavalaria Rusticana” poderia produzir ruídos em demasia

Sinais de dias difíceis para Dilma Rousseff



Do Merval Pereira, O Globo:

As vaias que a presidente Dilma levou em Mato Grosso do Sul e a faixa estendida ontem na manifestação do dia 1º de Maio em São Paulo, pedindo a volta de Lula, informam que os dias de bonança podem estar chegando ao fim e que ela terá, daqui para frente, maiores dificuldades no caminho para a reeleição, que ainda lhe é amplamente favorável, mas começa a se mostrar pelo menos mais árduo.
Lula navegou com os bons ventos da economia internacional e contou com seu inegável carisma pessoal para amealhar popularidade inigualável, num contexto de total fraqueza das oposições, divididas, fragmentadas e sem força alguma, sem discurso e sem alternativas.
O Bolsa Família, o uso da máquina pública, e o contato direto com as classes menos favorecidas foram instrumentos essenciais à governança do período Lula, e também para a eleição de sua sucessora.
Dilma, diferentemente de Lula, enfrenta períodos mais difíceis na economia internacional, além de ter herdado os gastos do governo Lula, muitos dos quais dedicados à continuidade de um projeto de poder que teve como beneficiária a própria Dilma.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A herança é deles


Cláudio Slaviero
Estou torcendo pela reeleição da presidente Dilma em 2014. E, aliás, sou absolutamente defensor do ditado popular que prevê que devemos pagar tudo que fazemos aqui e agora. O que Dilma e seu partido estão plantando, com a supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é herança que se possa transferir a ninguém, nem a adversários e muito menos a aliados. Ninguém merece.
A política econômica vai mal. No primeiro trimestre deste ano, as contas externas tiveram um déficit recorde de US$ 24,9 bilhões, equivalentes a 4,31% do PIB. O déficit, que não acontecia desde 2010, se deve a equívocos, que nos preocupam e são considerados pelo governo, como sempre, “de pouco interesse” ao chamado povo.
Assim como, segundo o ministro Guido Mantega, o PIB, o “pibinho”, o crescimento medíocre e outros assuntos. Por exemplo: em 2012, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,84%, acima da meta perseguida pelo governo, de 4,5%. Neste ano, o Banco Central estima que ela vá subir 5,7%. Em 2014, segundo suas previsões, deve recuar para 5,3%.
Apesar disso, Dilma faz gracinhas com as palavras, a exemplo de seu antecessor e inspirador, dizendo que neste país nem se flerta com a inflação. Os fatos a desmentem: o Comitê de Política Monetária do BC decidiu, em reunião no dia 17 de abril, elevar a taxa de juros, de 7,25% para 7,5% ao ano, devido à necessidade de “neutralizar o risco” de disparada da inflação, principalmente em 2014.
Foi a primeira alta da Selic desde julho de 2011 – quando a taxa subiu de 12,25% para 12,5%. A taxa de 7,25% era o menor patamar histórico da Selic e vigorava desde outubro de 2012.
Enquanto gasta tufos de dinheiro oficial em propaganda partidária, com artistas globais a divulgar programas eleitorais em programação normal de rádio e tevê, e acomoda seus interesses em 39 ministérios, o governo debate-se na eterna dúvida: crescer com alguma inflação ou não crescer? Em março passado, depois de vários anos, alguns setores registraram deflação no país, com alta de preços e crescimento negativo.
Em relação ao PIB, o orçamento oficial deste ano foi elaborado com base numa expectativa de crescimento de 4,5%. Para economistas, ele deve crescer 3%. A estimativa do governo já baixou de 4,5% para 3,1%. Para 2014 não houve mudança e a estimativa continua em 3,5%.
No cenário, medidas pontuais pretendem manter vivo o projeto político de continuidade no poder do PT. Há um número infindável de exemplos, sempre em prejuízo da sociedade, que, em nome do imediatismo, não percebe as consequências. Por exemplo: o governo reduz a conta de luz para a população. Elogiável! Só que, da forma como foi feita, quebra literalmente as empresas! A Eletrobras perdeu R$ 10 bilhões com a medida e teria de demitir cerca de 5 mil funcionários. A nossa Copel tem um prejuízo anual, só de ICMS, de R$ 450 milhões. A Cesp, a Cemig, todas elas, enfim, terão de arcar com os prejuízos em decorrência da medida.
Protecionismo a grupos de apaniguados e dinheiro público farto aos amigos, cessões comerciais, com resultados questionáveis, para países como Equador, Cuba, Irã, Venezuela, Bolívia e Argentina, desmoralização das instituições, veto à maior amplitude democrática com a proibição de novos partidos que poderiam ameaçar a reeleição, ameaça de controle da mídia, projeto para deter o poder do Ministério Público, manobras para evitar cadeia para os mensaleiros e seus ideólogos, tentativa de submeter o Supremo Tribunal Federal ao Congresso etc., são infindáveis os exemplos que tomariam cadernos deste jornal com a herança que se constrói nesses dias. Uma herança que ninguém merece. Dilma que continue com ela em 2014.

Cláudio Slaviero, empresário, é ex-presidente da Associação Comercial do Paraná e autor do livro A Vergonha Nossa de Cada Dia.