terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PAC TEVE SUPERFATURAMENTO DE R$ 139 MILHÕES, SÓ NO COMPLEXO DO ALEMÃO



SUPERFATURAMENTO EM OBRAS NO ALEMÃO ATINGE R$ 139,5 MILHÕES

LULA ESTEVE 111 VEZES NO SÍTIO DE ATIBAIA QUE AFIRMA NÃO SER DELE



LULA NEGA SER DELE SÍTIO REFORMADO PELA ODEBRECHT, MAS SÓ VIVE LÁ

Diário do Poder

Vereador cobra Fruet sobre aumento da tarifa do ônibus

Fábio Campana


valdemir-fruet
A nova tarifa de R$ 3,70 do ônibus já começa a ser questionada pela Câmara dos Vereadores de Curitiba. O vereador Valdemir Soares (PRB) apresentou requerimento nesta segunda-feira, 1º de fevereiro, em que pede explicações ao prefeito Gustavo Fruet (PDT) sobre o aumento de 12,12% no valor da passagem. Soares quer saber ainda a base de cálculo para chegar ao novo valor, o impacto financeiro da nova tarifa e a quantidade de passageiros que o sistema de transporte atende

Dilma deve rever lei que regulamenta piso dos professores


Bem Paraná
Aloízio Mercadante
Aloízio Mercadante
A categoria dos professores vai entrar em conflito com o arrocho salarial do governo Dilma Rousseff. Ontem, o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, admitiu que a atual gestão pode rever a Lei 11.738 que regulamenta o piso dos mestres. Mercadante admitiu que o aumento de 11,36% caiu como uma bomba para os Estados com dificuldade financeira e que estão atrasando o pagamento de salário dos servidores públicos, como o aliado Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Salaminho ou Salamuni

Bem Paraná


Paulo Salamuni
Paulo Salamuni
O secretário especial do gabinete do prefeito, Celso Torquato, no início dos trabalhos legislativos, chamou o líder do prefeito, Paulo Salamuni (PV), de Paulo “Salaminho”, apelido do parlamentar no período em que estava na oposição e era um combativo vereador. Pois Salaminho, melhor, Salamuni subiu ontem a tribuna da Câmara Municipal de Curitiba para defender o 13º salário para os membros do legislativo municipal. Nos áureos tempos de oposição Salaminho, melhor, Salamuni sempre foi contrário ao privilégio que não foi contemplado na Constituição de 1988.
A confusão no nome do líder de Fruet, e candidato a vice-prefeito, deve ter sido provocada porque Salamuni hoje é um rábula ou um humorista, como na série de história em quadrinhos Mortadelo e Salaminho, do espanhol Francisco Ibañez. Com formação jurídica, o parlamentar deveria saber que para os vereadores receberem a vantagem salarial a Constituição precisa ser mudada.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Qualquer pessoa pode propor projetos de lei à Câmara





Em Curitiba, qualquer cidadão pode propor leis diretamente à Câmara de Vereadores. O mecanismo existe de 2011, quando foi instalada a comissão permanente de Participação Legislativa, apta a receber sugestões da sociedade civil organizada. De lá para cá, o Legislativo recebeu oito propostas populares: sete admitidas pelo colegiado e uma arquivada.  

Segundo o Regimento Interno, a Participação Legislativa tem a função de receber sugestões legislativas apresentadas por pessoas jurídicas de direito privado e sem fins lucrativos. Além de analisar a admissibilidade de propostas populares, o colegiado deve propor audiências públicas, encaminhar pedidos de informações sobre as matérias que forem submetidas à sua apreciação, receber reclamações dos cidadãos e realizar diligências.

Das oito sugestões, sete foram admitidas e passaram a tramitar na Câmara de Vereadores como projetos de lei de iniciativa do próprio colegiado. A única “barrada” foi protocolada em junho de 2012 pela Associação de Moradores e Amigos da Vila Jerusalém, que pedia a desapropriação de um imóvel no bairro Cajuru (099.00001.2012). O parecer apontou vício de iniciativa, já que a matéria é de competência do Poder Executivo (veja aqui).

Das admitidas, duas sugestões já são leis curitibanas. A primeira foi a norma municipal 14.182/2012, que regula a transparência e publicidade dos conselhos de políticas públicas municipais. Proposta pelo Centro Acadêmico Sobral Pinto, do curso de Direito da PUCPR, a matéria (sugestão 099.00002.2011; projeto 005.00190.2011) foi aprovada pelos 38 vereadores de Curitiba em dezembro de 2012.

Segundo a lei, os conselhos que existem atualmente na capital deverão dar ampla divulgação a todas as informações relativas ao seu funcionamento, inclusive por meios eletrônicos de acesso público – data, horário e local das reuniões, o nome dos conselheiros em atividade, a lei municipal que o instituiu, as atas das reuniões, além de suas atribuições, objetivos, receitas, despesas e metas, com o percentual de concretização.

O segundo projeto de iniciativa popular aprovado pela Câmara, em dezembro de 2014 (leia mais) foi a “Lei da Bicicleta” (sugestão 099.00001.2013; projeto 005.00443.2013). Ela foi apresentada em outubro de 2013 pela Associação Paranaense de Encaminhamento Legislativo Autônomo e sancionada pelo prefeito Gustavo Fruet em janeiro do ano passado com veto parcial.

A lei municipal 14.594/2015 determina que 5% das vias urbanas sejam destinadas à construção de ciclofaixas e ciclovias, que deverão estar interconectadas ao centro da cidade e integradas ao transporte coletivo. Além disto, devem ser disponibilizados bicicletários e/ou estacionamentos nos terminais, estabelecimentos de ensino, complexos comerciais como shopping centers e supermercados e em praças e parques públicos.

Como propor um projeto?
Para apresentar um projeto, o cidadão precisa protocolar uma sugestão legislativa por intermédio de alguma entidade representativa (sem necessidade de um mínimo de assinaturas), exceto se for organização internacional, partido político ou instituição ligada à administração pública direta e indireta. Para isto, é preciso apresentar o estatuto social da entidade, a ata da eleição da última diretoria, o comprovante de inscrição e de situação cadastral (CPNJ) e a sugestão, devidamente assinada pelo representante legal.

Quando protocolada, a matéria será enviada à Comissão de Participação Legislativa, que terá 30 dias – prorrogáveis por mais 15 – para analisar a proposta. Neste período, o colegiado deve indicar um relator, que terá 10 dias úteis para emitir parecer desfavorável (pelo arquivamento) ou favorável (pela transformação da sugestão em projeto) ao texto. Se a proposta for admitida, ela inicia sua tramitação na Câmara Municipal – o projeto de lei é protocolado, lido em plenário, segue para instrução da Procuradoria Jurídica e, depois, para as comissões permanentes, antes de ser votado em plenário.

Deserto


por Fernanda Torres

Ando com uma sensação de déjà-vu preocupante. O colapso recente parece a reedição torta de algo que já vivi.
À bonança financeira da era Lula, seguiu-se à crise institucional, agravada pela queda do valor do petróleo. A reviravolta tem potencial tão desastroso quanto a subida vertiginosa do barril, que deu cabo do milagre econômico nos anos 1970: a inflação atingiu dois dígitos, brasileiros optam pelo aeroporto, a polícia baixa o cacete nas ruas de São Paulo e até a palavra golpe foi ressuscitada.
Voltei a experimentar um isolamento que há muito não sentia. Como se o Brasil estivesse condenado, por um imperativo geográfico que impregna a política, a educação, as artes e a economia, a viver à margem das demais sociedades.
Eu tinha nove anos quando viajei pela primeira vez para o dito primeiro mundo. O português, língua universal da zona sul carioca, descobri ali, era ignorado no restante do planeta.
Meus pais estavam na casa dos 40 e nunca haviam pisado no Hemisfério Norte. Graças ao prêmio Molière de teatro, que dava direito a duas passagens de econômica para cada um, o casal planejou o giro.
Para sanar a lacuna de uma vida inteira, cumprimos uma maratona exaustiva. Em 45 dias, visitamos Paris, Londres, Siena, Pádua, Verona, Assis, Florença, Veneza, Roma, o Vaticano, Pompeia, a Costa Amalfitana, Nápoles, Sardenha, Lisboa, Nova York, o Cabo Canaveral e a Disney.
Apesar do desespero, a viagem me deu uma ideia da enormidade do mundo e da ilha em que eu vivia.
Nossa condição era reflexo da distância eterna e do fechamento do país continental, governado por um nacionalismo de caserna, que exigia depósitos compulsórios para cruzar a fronteira e coibia o livre trânsito de mercadorias, dinheiro e ideias.
Meu desconforto no além-mar custou 20 anos para ser vencido. Os mesmos 20 que o país levou para se abrir e se democratizar.
Passaram-se décadas até que a anistia fizesse efeito e os intelectuais do exílio voltassem à ativa, até que os sindicatos produzissem um líder carismático, a China abrisse uma nova linha de comércio, a moeda se tornasse confiável e usufruíssemos de um sentimento de futuro.
Economistas arriscam uma estimativa de dois a três anos para sairmos do atual buraco. Meu pessimismo pressente a chegada de um ciclo que costuma levar de 15 a 20 para se completar. A ditadura persistiu de 1964 a 1979; a penúria, de 1979 a 1995; e a estabilidade, de 1995 a 2010.
Já atravessamos cinco natais com Dilma, faltam no mínimo dez para a próxima guinada.
Deus fez os hebreus vagarem durante quatro décadas pelo deserto, à espera de que os que nasceram no Egito passassem dessa para a melhor, livrando Canaã das antigas influências.
Salmo 95, versículo 10: “Quarenta anos estive desgostado com esta geração e disse: é um povo que erra de coração e não tem conhecimento dos meus caminhos”.
Eu morro aqui, sem Terra Prometida, ao lado de Moisés, Aarão, Lula, FHC, Dilma, Sarney, Cunha, Temer, Renan e Collor, enquanto olho para os meus filhos e pergunto:
“Quem será o Josué que atravessará o rio Jordão com eles, carregando o andor com as tábuas?”
A chance é grande de ser um discípulo de “Os Dez Mandamentos”, da TV Record.
*Publicado na Folha de S.Paulo