segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Brasil está entregue a um bando de aproveitadores enquanto é observado por outro bando de covardes


REYNALDO ROCHA
Somos oposição. Real. Exercemos o direito de nos opor ao que julgamos deletério ou imoral. Não aceitamos números falsos. Repudiamos promessas não cumpridas, expostas a todos como um cadáver putrefato ─ como é o caso da Norte- Sul, do Trem-Bala, da Transnordestina, da transposição do São Francisco, das 9.000 creches e dos 800 aeroportos.
Sequer rotulamos estas obras como mal feitas. Antes, precisam ser feitas.
Somos contra a substituição do mérito pela ajuda ao companheiro ignorante, roubando de todos o direito de exercer o que o estudo e esforço garantem.
Somos oposição às tentativas de comprar juízes e ministros do Supremo com se o Judiciário fosse a feira livre dos sem-vergonha do Poder Legislativo. Sim, não têm vergonha de nada.
Queremos ser o que sempre fomos: a parte decente do Brasil. A que não se corrompeu, se vendeu ou idolatrou fantoches e ídolos de pés de barro. Já é muito.
Não temos representantes. Não nos vemos em nenhuma alternativa de poder, o que nos leva, por exclusão, a aceitar qualquer uma que mantenha a democracia e enxote os micilianos lulopetistas do poder.
Estamos a um ano das eleições. Tempo que a oposição tem para formar um discurso,  bandeiras e para que nos ouçam. E é o mesmo tempo que eles têm para manter pratos equilibrando no ar. Eles sabem que em 2015 o desastre estará completo. Mas o objetivo terá sido alcançado e as esperanças de bolivarianizar definitivamente o país estarão renovadas.
É um jogo de perde-perde. Sabemos (não somos inocentes) que vamos perder no final. Que estaremos fazendo o trabalho que, por incompetência, medo ou covardia, as oposições nunca fizeram.
As palavras críticas nas bocas oposicionistas são ocas. Vazias como foram os anos de dócil conivência com o poder. Os textos de blogueiros e jornalistas que leio são mais aprofundados e oposicionistas que discursos de qualquer um deles.
Não me lembro de nenhum!  E lembro de centenas de textos, na internet, expressando até de modo repetitivo o que as oposições se recusam a ler e ouvir.
Um ano. Pouco, muito pouco tempo.
O PT sabe se equilibrar na corda bamba. É mestre no show de Monga, a mulher-gorila que usa o truque dos espelhos.
Um ano para as oposições é a eternidade, pelo ritmo que sempre se portou. Para a seita, um ano é um fim de semana, como comprovam a ânsia de continuidade ao assalto aos cofres e perpetuação da imoralidade já demonstradas.
A oposição não demonstra ter bandeiras. Mas está com a mortalha pronta. Sabe como nunca ser dividida, brigando por um naco do bolo que sequer foi ao forno. Lutando pela primazia de ser o perdedor.
Enquanto isso, vemos a campanha de Dilma já nas ruas, usando dinheiro público, benesses a apaniguados, butim da base alugada, ajeitamentos dos piratas na nau da insensatez, escárnio com a lei eleitoral e repetição das fantasias alucinadas que a alguém com dois neurônios, provocam risos. E asco.
Estamos sós. Somos a oposição.
O Brasil está entregue a um bando de aproveitadores e é observado por um bando de covardes.
Um ano de expectativa de que surja uma bandeira de luta, entre tantas que oferecemos.
Sinto que não haverá.
E um ano de repetição de um programa/discurso que se repete há 11 anos.
Sei que será assim.
Sou pessimista ?

‘Privilégio para a patota’, editorial do Estadão


Publicado no Estadão desta quarta-feira
É a privatização do Estado com outro nome, mas sempre com o mesmo objetivo – dar aos companheiros, no caso, a entidades direta ou indiretamente vinculadas ao PT, oportunidades excepcionais de negócios na exuberante estrutura da administração federal. E isso com absoluto descaso pelas leis e sem o mais remoto vestígio de decoro.
O exemplo da hora é o decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff no último dia 7 e publicado na edição seguinte do Diário Oficial da União, eximindo uma fundação de direito privado de participar de licitação para vender planos de saúde a funcionários federais – um mercado potencial estimado em 3 milhões de usuários e R$ 10 bilhões por ano, atendido por 34 operadoras.
Chama-se Geap Autogestão em Saúde a organização contemplada com a sorte grande. Ela atende 625 mil servidores (e dependentes) de 99 órgãos da administração direta e indireta. Nos últimos 10 anos, o Estado carreou para os seus cofres mais de R$ 1,9 bilhão em repasses cuja licitude não pode ser avaliada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por ser o destinatário ente privado.
A presidente, ao privilegiar a Geap, evidentemente não se sentiu tolhida pelo fato de ela estar sob intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar desde março passado em razão do seu endividamento da ordem de R$ 260 milhões – um claro indício de má gestão. O favorecimento à entidade (que chegou a ser dirigida por uma apadrinhada do então ministro da Casa Civil José Dirceu) vem de longe.
Tendo sido criada por funcionários da União para atuar exclusivamente nos Ministérios da Previdência e da Saúde, Dataprev e INSS – os seus patronos e únicos autorizados por lei a contratá-la sem licitação –, a Geap foi aquinhoada com um decreto do presidente Lula, divulgado por este jornal em março de 2004, que estendeu o seu monopólio na prestação de serviços de saúde e previdência complementar.
À época, a sua clientela já estava na casa de 740 mil usuários, cobrindo cerca de 80 órgãos além daqueles para os quais havia sido criada. Passados dois anos, a Procuradoria-Geral da República endossou um parecer do TCU ao considerar inadmissível que uma fundação de direito privado se conveniasse com quaisquer órgãos que não fossem os seus patrocinadores originais. Os acordos adicionais representam “prestação de serviço para terceiros” – devendo ser, portanto, objeto de licitação.
Uma ação contra a tese do TCU, movida por 18 associações de servidores, foi derrotada em março último no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o acórdão ainda não foi publicado. A esperteza do decreto de Dilma, revelado pelo Estado nesta terça-feira, consiste na permissão para que a fundação assine convênios com o Ministério do Planejamento – que gere toda a folha de pagamento federal.
Isso significa que a União passa a ser a patrocinadora da Geap Autogestão em Saúde, um dos entes em que a entidade se subdividiu – no mesmo dia da publicação do ato da presidente -, conservando o CNPJ da fundação original. Tudo foi claramente feito para burlar a lei. A manobra, observa o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado, dificulta definir o regime jurídico aplicável à Geap, “pública para o que convém e privada para o que convém”.
No primeiro caso, para ser dispensada de licitação; no segundo, para não prestar contas ao TCU. O decreto foi qualificado como “inconstitucional, uma aberração e uma afronta” pelo deputado Augusto Carvalho, do Distrito Federal, filiado ao Solidariedade. Ele pretende preparar uma proposta de decreto legislativo para sustar os efeitos da canetada de Dilma. Já o seu colega do PDT, Antônio Reguffe, se diz espantado com o ato.
Relator na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de uma proposta de fiscalização e controle dos convênios da Geap, ele resume a sua perplexidade: “Se a Geap foi considerada privada pela Justiça, deveria haver licitação para que fosse escolhida a empresa que melhor atendesse o interesse público; ou o governo teria de criar uma estatal para tocar o plano de saúde de seus servidores”. E se pergunta: “Agora, quem vai fiscalizar isso, se o TCU se julga incapaz porque considera a Geap um ente privado?

Quando os fatos se encarregam de jogar luzes num texto. Ou: Barbárie nas ruas de SP. É a “fúria justiceira dos bons”, incensada por covardes


Em nenhum país do mundo, democrático ou ditatorial, uma força policial, atuando dentro dos limites que lhe confere a lei, recebe esse tratamento sem graves consequências. Enquanto a barbárie se instalava em São Paulo, eu participava do “Café Filosófico”, promovido pela CPFL, em Campinas. Fechei o ciclo de debates que tinha como tema as “jornadas de junho”. Nas semanas anteriores, falaram Demétrio Magnoli, Eugênio Bucci e Roberto Romano. Fiz uma intervenção indignada, sim, porque essa é a minha natureza. Eu não sabia o que se passava por aqui. As pessoas que lá estavam e as que acompanharam o evento, ao vivo, pela Internet (mais de 2 mil acessos simultâneos), puderam constatar que esses trogloditas são argumentadores ainda mais convincentes do que eu em favor das minhas teses a respeito.
Louvem-se a coragem e a honradez do coronel Reynaldo Simões Rossi. Mesmo nas circunstâncias mais adversas, teve a energia e a serenidade de pedir que seus homens se contivessem. Ele sabia que uma reação mais dura da tropa transformaria, nas redes sociais e na imprensa, a Polícia em vilã, e os vândalos em heróis de um novo amanhecer, que é como esses bandidos têm sido tratados aqui e ali.

MADE IN BRASIL

Claudio Humberto

Vamos privatizar a moda chinesa
Após a presença de estatais chinesas no leilão do campo de Libra, o vice Michel Temer reforçará, em viagem àquele país, o convite para outros leilões de concessões – portos, aeroportos, rodovias etc.

SENADO FINGE CORTAR GASTOS, E RECONTRATA COM SALÁRIOS MAIORES


APÓS ANUNCIAR “CORTE DE GASTOS”, SENADO AGORA RECONTRATA PAGANDO MAIS

Afinado no discurso de cortar gastos, o Senado resolveu demitir 512 terceirizados com carga horária de oito horas para enxugar os custos  na Casa. A informação propagou-se aos quatro cantos. Sem o mesmo alarde, no entanto, o Senado começou agora o processo de recontratação dos mesmos funcionários exonerados. E a generosidade está ainda maior.
Ao abrir um termo aditivo para realocar 65 funcionários na Casa, o presidente Renan Calheiros permitiu que os salários fossem aumentados e a carga horária, reduzida. Assim, os  mesmos profissionais voltam às atividades — o retorno começou no dia 18 de outubro — com salários maiores e jornada de trabalho bem menores.
Neste  primeiro aditivo, que recontrata 65 profissionais, o Senado Federal gastará R$ 3 milhões ao ano. Porém, no antigo contrato, os mesmos profissionais custavam aos cofres públicos 33% a menos: R$ 2 milhões. Ou seja, o crescimento com os gastos atinge 50%.
Pela nova tabela dos 65 comissionados, 43 servidores que recebiam R$ 3.541,61 passaram a ganhar remuneração de R$ 3.669,61. A promoção é ainda maior quando analisado os outros 21 recontratados. Eles receberão R$ 5.181,34, exatos R$ 503,02 a mais dos R$ 4.678,32 antes pagos pelo mesmo serviço.
Desta forma, os profissionais que ganharam reajustes também passam a cumprir escala menor, de seis horas por dia, num cálculo de apenas 120 horas mensais. Até mesmo o copeiro, qual a Planalto terá R$ 3.669,01 para pagá-lo, deverá cumprir a carga horária reduzida, de seis horas.
Questionado desde quinta-feira (23) pela reportagem, o Senado não conseguiu explicar as razões das novas contratações acima dos valores até o fechamento da edição.

Verdade seja dita

E o HC?

De um amigo do blog:

O governo federal anuncia que o Paraná receberá 57 médicos estrangeiros, mas a população quer saber mesmo quando os 94 leitos do Hospital das Clinicas, em Curitiba, fechados recentemente, serão reabertos. Nunca é demais lembrar que é a administração petista do governo federal a responsável pelo hospital.

Falsos brilhantes

Por Mary Zaidan
“Esgoto não é magnífico na sua aparência; esgoto tem de ser tratado, coletado, e tem que se traduzir em projetos técnicos de qualidade.” Dita em dilmês castiço, a frase da presidente foi aplaudida por centenas de prefeitos que se aglomeravam no Palácio do Planalto, quinta-feira, 24, durante o anúncio de R$ 13,5 bilhões do PAC para saneamento e pavimentação.
A 45 quilômetros dali, os 170 mil moradores de Águas Lindas de Goiás ainda esperam pelos R$ 113 milhões prometidos para coletar e tratar o esgoto da cidade. Se já deixou o papel, o dinheiro festejado em maio deste ano foi parar em outros subterrâneos.
Mais um anúncio sem lastro. Isso tem sido uma constante nos governos Lula-Dilma, useiros e vezeiros em alardear o que não se concretiza. Para Dilma – assim como foi para Lula –, o que interessa é usufruir da publicidade. O depois não importa. É futuro pós-eleição. A conta do diabo.
Quem dá as cartas, inventa, cria e recria os programas de governo é o marketing. Foi assim desde o primeiro dia de Lula. Ali, a mágica era o Fome Zero, saído da varinha de condão de Duda Mendonça. Para eleger a sucessora vieram o PAC e o filhote PAC 2, ambos sem perspectivas de conclusão até o fim do governo Dilma.
Ou seja, prometer e não fazer, lançar e nem mesmo começar, anunciar e não liberar os recursos não é um comportamento apenas eleitoral, é um estilo de governar.
Cacareja-se o ovo que a galinha não botou.
E isso é algo que custa caro. A polêmica e grandiosa obra de transposição do Rio São Francisco que o diga. Quase parada – deveria estar pronta no final do governo Lula ao custo de R$ 4,6 bilhões -, já alcança R$ 8,18 bilhões e não será entregue antes de 2015.
Destino igual têm moradias recém-inauguradas do Minha Casa Minha Vida, inauguradas sem luz, água e esgoto, e as seis (ou oito) mil creches prometidas por Dilma, a maior parte delas puro gogó.
Tem sempre sido assim.
O primeiro barril do Campo de Libra só deve sair das águas profundas em 2020. Produção, se tudo der certo, só em 2022 ou 2023. Mas o incerto lucro futuro foi estrelado em rede de rádio e TV pela presidente Dilma, ainda que não se saiba o preço do óleo negro daqui a 10 anos, muito menos a quantidade de produção. Até lá, a Petrobrás vai continuar gastando o que não tem, ostentando o primeiro lugar entre as maiores devedoras do mundo.
Um contraste e tanto com as cenas de Lula e as mãos sujas de petróleo para comemorar a autossuficiência brasileira, que, na época, fizeram parecer crível.
Deve ser por essas e outras que os marqueteiros insistem em desafiar as pernas curtas da mentira. Talvez se esqueçam de que mais cedo ou mais tarde o dito prevaleça. Afinal, não é à toa que ele se tornou popular.
Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa’.